Festival celebra memória afro-brasileira em Vera Cruz
Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, abre as portas nesta quinta-feira (05/11/2026) para o Festival Senzala, candomblé e o Dois de Julho, uma iniciativa que traz à tona a riqueza da ancestralidade africana e a importância dos povos negros na história da Bahia. A programação começa às 17h, na Galeria Manuel Agnaldo dos Santos, integrando as ações do Novembro Negro, momento dedicado à valorização da cultura afro-brasileira.
Exposição entre história, religiosidade e gastronomia
Organizado pela Associação Civil Filhos de Bárbara (ACFBA) e apoiado pela Prefeitura de Vera Cruz e pela Secretaria de Turismo da Bahia, o festival apresenta uma exposição que une elementos dos Caboclos da Independência da Bahia, personagens do Candomblé e símbolos da escravidão, além das lutas que marcaram a emancipação baiana. A proposta é criar uma conexão entre a história, a fé, a culinária e as manifestações culturais, reforçando a presença da herança africana na identidade do estado.
O evento visa também aproximar gerações diferentes dos saberes preservados por comunidades tradicionais, povos de terreiro e artistas locais, mantendo vivos os conhecimentos populares que atravessam o tempo.
Ancestralidade e Independência da Bahia em foco
Idealizado por Pai Roberto, o festival destaca o papel dos povos africanos e afro-brasileiros na construção da sociedade baiana. Ele utiliza referências da cultura material e imaterial para refletir sobre a história que ainda influencia a identidade regional. Segundo Pai Roberto, a memória cultural se mantém viva por meio da religiosidade, da culinária e das tradições transmitidas entre gerações.
“Nossa história está na comida, na fé e nas manifestações culturais que acompanham a Independência da Bahia. É fundamental preservar e passar adiante essa herança”, afirma o idealizador.
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Fonte: rjnoar.com.br
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Fonte: edemossoro.com.br
Patrimônio cultural como motor de desenvolvimento
O prefeito Igor Pinho reforça que o festival integra políticas para valorizar a cultura local e fomentar o desenvolvimento econômico ligado às tradições de Vera Cruz. Para ele, reconhecer a contribuição africana é essencial para preservar a memória coletiva e ampliar as oportunidades geradas pela cultura.
“Nossa cultura é fruto de diferentes gerações, especialmente da força dos povos afrodescendentes. Queremos fortalecer essas expressões culturais, preservar nossa história e transformar isso em desenvolvimento e renda para a população”, destaca o gestor.
André Reis, secretário municipal de Economia Criativa, Cultura e Turismo, complementa que a gastronomia africana, as práticas religiosas, os personagens históricos do Dois de Julho e os saberes tradicionais formam um patrimônio que pode impulsionar o turismo cultural em Vera Cruz.
“Queremos mostrar nossa ancestralidade e criar experiências turísticas que envolvam a cultura local, beneficiando a economia criativa e valorizando a história da cidade”, explica Reis.
Diálogo cultural entre Vera Cruz e Cachoeira
Além das atividades em Vera Cruz, o festival estabeleceu uma conexão com Cachoeira, no Recôncavo baiano. Lá, o evento destacou a gastronomia de matriz africana, especialmente as comidas de senzala, como efó, moqueca de ovo, roupa velha e xinxim de bofe, preparadas em panelas e tigelas de barro.
Para Pai Roberto, a culinária é uma das formas mais concretas de preservar a memória africana na Bahia, reunindo tradições culinárias transmitidas por gerações e presentes na alimentação cotidiana das famílias baianas.
Gastronomia e turismo como caminhos para o fortalecimento cultural
A parceria entre Cachoeira e Vera Cruz amplia a abrangência do projeto, conectando cidades com referências históricas e culturais relacionadas à formação da Bahia. A proposta valoriza a gastronomia, a religiosidade e as manifestações populares como pilares para o turismo cultural e o fortalecimento dos territórios.
Essa aproximação favorece a circulação de visitantes, a participação de artistas, cozinheiros e comunidades tradicionais, gerando mais oportunidades econômicas ligadas ao patrimônio cultural.
Novembro Negro marca reflexão sobre identidade e resistência
Realizado durante o Novembro Negro, o festival integra um momento que estimula o reconhecimento das contribuições africanas para a sociedade baiana em suas diversas formas — social, econômica, religiosa e artística. Ao reunir referências ao Candomblé, à culinária e à Independência da Bahia, o evento oferece uma abordagem completa da memória afro-brasileira, destacando o protagonismo de mestres, artistas, povos de terreiro e detentores de saberes tradicionais.

