Impacto econômico da política de minerais críticos na Bahia
A aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos no Congresso federal abre caminho para um forte impulso na mineração baiana. A expansão da cadeia produtiva desses minerais e das terras raras tem potencial para injetar R$ 192,1 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do país e gerar 750 mil empregos até 2050, segundo levantamento recente.
O projeto de lei PL 2.780/2024, que estabelece essa política, deve avançar nas próximas semanas após encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com líderes do Congresso. A Bahia aparece como um dos estados que mais deve se beneficiar, com crescimento estimado de 10,3% no PIB estadual, de acordo com estudo da Amcham Brasil.
Dois cenários para o crescimento da mineração
O levantamento da Amcham compara duas rotas possíveis para o setor. Na primeira, o investimento é majoritariamente doméstico e a produção se volta para exportação, mantendo baixo valor agregado no país. Nesse cenário, o PIB acumula R$ 128,7 bilhões, com geração de cerca de 304 mil empregos.
O segundo cenário prevê maior entrada de capital estrangeiro, expansão do processamento dos minerais dentro do Brasil e uso crescente desses insumos pela indústria nacional. Aqui, o investimento sobe R$ 120,9 bilhões, elevando o impacto no PIB para R$ 192,1 bilhões e a criação de 750 mil empregos.
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A diferença entre os dois modelos mostra que a atração de recursos internacionais e o fortalecimento das cadeias produtivas podem acrescentar R$ 63,4 bilhões ao PIB, R$ 32,3 bilhões ao consumo das famílias e R$ 16,1 bilhões em investimentos, além de gerar 446 mil empregos a mais.
Brasil se destaca no mercado global de minerais críticos
Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com apoio da U.S. Chamber of Commerce e empresas do setor, conduziram o levantamento que considera minerais como cobalto, cobre, grafita, lítio, níquel e elementos de terras raras. O estudo utiliza projeções globais e nacionais para estimar a demanda e os investimentos previstos no setor.
Segundo Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, “o Brasil reúne algumas das maiores reservas de minerais críticos do mundo e tem condições de se tornar protagonista global nesse mercado”. Ele destaca que a capacidade de atrair investimentos é essencial para converter essa riqueza mineral em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial.
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Estados mineradores e industriais colhem os maiores benefícios
Os maiores impactos no PIB concentram-se nos estados produtores: Pará lidera com 16%, seguido por Bahia (10,3%), Goiás (10%), Piauí (4%) e Minas Gerais (3,8%). A ampliação do processamento interno ainda expande benefícios para estados com forte presença industrial, como Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
A indústria de transformação cresce 1,8% no segundo cenário, quase três vezes mais que no primeiro. Setores como construção civil (4,5%) e indústria extrativa (4,2%) também apresentam desempenho positivo. Entre segmentos industriais, máquinas e equipamentos elétricos lideram com alta de 16,7%, seguidos por máquinas para extração mineral (9,8%), automóveis (5,5%) e máquinas e equipamentos mecânicos (2,9%).
O fortalecimento da cadeia produtiva dos minerais críticos não apenas impulsiona regiões produtoras, mas também amplia a competitividade do Brasil nas cadeias globais de tecnologia e transição energética, reforçando o papel do país no cenário internacional, conclui Abrão Neto.

