Bahia confirma posição de destaque na produção de algodão
Na data em que se celebra o Dia Mundial do Algodão, nesta quarta-feira (07/10/2026), a Bahia reafirma seu papel como o segundo maior produtor brasileiro de algodão. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2025, o estado alcançou a marca de 1.830.972 toneladas de algodão herbáceo em caroço, gerando um valor de produção de R$ 7,85 bilhões. A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri) destaca que esse montante representa um crescimento nominal de 21,9% em relação a 2024, o que equivale a um incremento aproximado de R$ 1,4 bilhão.
Oeste da Bahia domina a produção e lidera municípios
A produção do algodão permanece concentrada no Oeste baiano, região caracterizada por extensas áreas mecanizadas e adequadas para a agricultura de escala. A PAM 2025 indica que o estado destinou 407 mil hectares ao cultivo do algodão, resultando em pouco mais de 1,83 milhão de toneladas em caroço. São Desidério lidera a produção estadual, com 700.456 toneladas, posicionando-se também como o terceiro maior produtor nacional. Outros municípios importantes são Formosa do Rio Preto, Correntina, Riachão das Neves e Barreiras, que juntos fortalecem o corredor agrícola do Oeste como o principal polo cotonicultor do estado.
Valor econômico do algodão cresce e supera outras culturas
O algodão se destaca como a segunda cultura com maior valor econômico na Bahia em 2025, ficando atrás apenas da soja, que movimentou R$ 16,55 bilhões. A frente do algodão ficaram o café e o cacau, com R$ 6,91 bilhões e R$ 5,80 bilhões, respectivamente. É importante esclarecer que o crescimento nominal de 21,9% no valor da produção não corresponde necessariamente a um aumento real da renda, uma vez que os valores são apresentados a preços correntes, sem descontar a inflação.
Produtividade alta e tecnologia são diferenciais da cotonicultura baiana
Além do volume produzido, a Bahia apresenta indicadores elevados de produtividade. Dados da Seagri e da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) indicam rendimento médio próximo a 2.000 quilos de pluma por hectare na safra 2023/2024. Essa performance decorre da combinação entre as condições naturais favoráveis do Oeste — solo, clima e relevo — e o uso de tecnologias como mecanização, agricultura de precisão e melhoramento genético. O diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri, Assis Pinheiro Filho, reforça que essa união é fundamental para sustentar os altos índices produtivos.
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Controle fitossanitário mantém produtividade e combate pragas
O combate ao bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis), principal praga da cultura, é estratégico para garantir a produtividade. A Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) mantém ações rigorosas, como vazio sanitário, destruição de soqueiras e fiscalização, para interromper a sobrevivência do inseto entre safras. Essas medidas exigem coordenação entre produtores, entidades e órgãos públicos, evitando a reinfestação e protegendo a saúde das lavouras no Oeste baiano.
Investimentos públicos e infraestrutura impulsionam o setor
O Governo da Bahia destaca o Programa para o Desenvolvimento da Agropecuária (Prodeagro) como peça-chave no avanço do algodão. Em 2026, o programa continuou a financiar obras de infraestrutura que melhoram circulação e escoamento no Oeste, região que concentra a produção. O secretário estadual da Agricultura, Vivaldo Góis, ressalta que a política pública integra ganhos de produtividade com melhorias logísticas e sustentabilidade. A infraestrutura eficiente é essencial para o transporte, beneficiamento e exportação, fatores que influenciam diretamente a competitividade do algodão baiano.
Indicação Geográfica busca valorizar pluma branca do Oeste
Um esforço institucional visa o reconhecimento da pluma branca produzida no Oeste baiano por meio de uma Indicação Geográfica (IG). Em abril de 2026, a Seagri reuniu produtores e instituições para discutir os passos do processo, e em junho, durante a Bahia Farm Show, foi criado um grupo de trabalho para acompanhar a iniciativa. A IG pretende associar as características específicas da pluma à sua origem geográfica, fortalecendo sua diferenciação comercial, embora o registro ainda dependa do cumprimento de requisitos técnicos e documentais.
Exportações ampliam alcance internacional da cotonicultura
A maior parte da produção baiana, entre 60% e 70%, é destinada ao mercado externo, especialmente países asiáticos com forte indústria têxtil. Dados do primeiro semestre de 2026 mostram que a China liderou as compras nordestinas, seguida por Bangladesh, Paquistão, Vietnã e Turquia. No Nordeste, a Bahia concentrou 88% das exportações de algodão. A dinâmica dos mercados varia conforme o período, mas o papel do estado no comércio internacional é inegável, ampliando a importância da logística e das relações comerciais.
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Brasil projeta safra recorde de algodão na temporada 2025/2026
No âmbito nacional, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou uma produção recorde de 4,14 milhões de toneladas de pluma para a safra 2025/2026. A área plantada ficou em cerca de 2,02 milhões de hectares, com produtividade média de 2.053 quilos por hectare, mesmo com redução da área em relação ao ciclo anterior. Esses números reforçam a posição do Brasil como um dos principais players globais no comércio do algodão, ressaltando a necessidade de logística eficiente e controle de custos para manter a competitividade.
Histórico da cotonicultura moderna no Oeste baiano
A atual escala de produção do algodão no Oeste da Bahia é fruto de uma transformação iniciada em 1995, quando cerca de 2.400 hectares foram cultivados com o uso de tecnologia e mecanização. Entre 1990 e 2000, a produção saltou de 7.583 para 123.769 toneladas. O avanço foi impulsionado pela pesquisa, adoção de cultivares adaptadas e manejo fitossanitário, consolidando a região como um polo agrícola moderno e eficiente.
Dia Mundial do Algodão reforça importância do comércio e desenvolvimento
Instituído em 2019 por países africanos e reconhecido pela Assembleia Geral da ONU em 2021, o Dia Mundial do Algodão destaca a relevância da cultura para a geração de valor e cooperação internacional. Em 2026, o tema central aborda o papel do algodão no bem comum, por meio do comércio, transformação industrial e colaboração entre países produtores. Para a Bahia, com sua cadeia exportadora consolidada, o desafio está em ampliar o beneficiamento interno e agregar valor à fibra além da comercialização como commodity.

