Casas Bahia avalia pedido de recuperação judicial diante de prejuízos
A Casas Bahia anunciou que está avaliando a renegociação de suas dívidas, incluindo a possibilidade de recorrer a um pedido de recuperação judicial ou extrajudicial. A decisão faz parte das estratégias para reorganizar os passivos da empresa e enfrentar o cenário financeiro desafiador que a rede de varejo enfrenta atualmente.
Em seu balanço do segundo trimestre, a empresa revelou que sua dívida líquida atingiu R$ 1,2 bilhão. Além disso, o prejuízo do período foi de R$ 10,1 bilhões, um salto expressivo em relação aos R$ 555 milhões registrados no mesmo intervalo do ano anterior. Com esse resultado, o patrimônio líquido da Casas Bahia ficou negativo em R$ 8,1 bilhões.
Impactos financeiros e ajustes estratégicos
As perdas registradas são atribuídas a vários fatores, como baixa de R$ 5,7 bilhões em imposto de renda diferido, ágio, revisões contratuais, reorganização de pessoal e fechamento de lojas. A empresa já fechou 298 unidades e planeja redimensionar seu tamanho, focando em canais de vendas mais rentáveis para recuperar eficiência operacional.
Além do fechamento das lojas, a varejista está revisando sua estratégia comercial nos canais digitais. A prioridade está na margem, geração de caixa e retorno sobre o capital empregado, em detrimento do crescimento de volumes em operações ou categorias que não apresentem rendimento econômico adequado.
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Estoque e capital de giro sob revisão
A Casas Bahia também trabalha na revisão dos níveis e da composição dos estoques, no sortimento e nos volumes de compras. O objetivo é melhorar o capital de giro e reduzir estruturalmente a necessidade de capital empregado, buscando maior sustentabilidade financeira para o negócio.
Oito trimestres consecutivos de prejuízos
Este é o oitavo trimestre seguido em que a empresa registra prejuízos. Segundo analistas, a deterioração financeira tem sido agravada pelos juros altos, que elevam as despesas financeiras, e pelo aumento da inadimplência entre os consumidores.
Desde o segundo trimestre de 2024, quando a Casas Bahia entrou em recuperação extrajudicial, os resultados negativos da companhia vêm crescendo em magnitude. Enquanto no terceiro trimestre de 2024 e no mesmo período de 2025 os prejuízos eram da ordem de centenas de milhões, nos trimestres seguintes o rombo ultrapassou R$ 1 bilhão, evidenciando a gravidade da crise.
Juros altos pressionam varejo brasileiro
Alberto Serrentino, consultor de varejo e sócio da Varese Retail, destaca que o principal fator para a situação da Casas Bahia é o ciclo prolongado de juros reais elevados no Brasil. A taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, era de apenas 2% no fim de 2020 e início de 2021, período em que muitas empresas do setor se alavancaram devido ao custo baixo do capital.
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Com a disparada dos juros, a estrutura financeira dessas companhias, que atuam com margens reduzidas e alta competitividade, passou a não suportar os modelos econômicos adotados. Essa pressão financeira é sentida em todo o varejo nacional.
Setor de varejo sofre com endividamento e desaceleração do consumo
Varejistas como Magazine Luiza, Renner e C&A também enfrentam dificuldades. O Magazine Luiza reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o lucro do ano anterior. A Renner não alcançou as metas de vendas previstas, e a C&A apresentou resultados abaixo do esperado pelos analistas.
Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, ressalta que o varejo é um dos setores mais afetados pelos juros altos e endividamento das famílias, além da intensa concorrência. Essa combinação reduz o poder de compra dos consumidores e impacta diretamente a receita e a rentabilidade das empresas.
Para a Casas Bahia, a reorganização das dívidas e a reavaliação das operações, tanto físicas quanto digitais, serão determinantes para definir o rumo da empresa e seu impacto na economia regional e nacional.

