Funcionários compartilham desabafo nas redes sociais
“Foram 21 anos de Casas Bahia, e receber essa notícia não é fácil”, desabafa Edson Silva, funcionário da loja localizada em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai. Em um vídeo que viralizou no Instagram, ele agradece a chefes, colegas, clientes e à própria empresa. “Foi daqui que tirei o meu sustento, foi daqui que criei meus filhos, foi daqui que formei minha família”, afirma, emocionado.
Edson é um dos muitos colaboradores que usaram as redes sociais para expressar o impacto das demissões em massa e o fechamento de 298 lojas da Casas Bahia. A varejista entrou com pedido de recuperação judicial no domingo (16), depois de registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre do ano. O grupo declarou uma dívida total de R$ 17,3 bilhões.
Reestruturação e consequências para os trabalhadores
No documento oficial de recuperação judicial, o grupo informa a demissão de aproximadamente 3.000 funcionários, parte dos 30.117 colaboradores que tinha até então. Além disso, está previsto o fechamento de quase 300 unidades, considerando que a Casas Bahia conta com mais de 700 lojas físicas e o Ponto Frio, outra marca do grupo, possui mais de 65.
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A rede afirma que está revisando seu quadro de colaboradores, contratos, despesas e investimentos para adequar sua estrutura de custos ao novo porte da operação e à geração de caixa esperada. Essa readequação impacta diretamente os empregos e a atividade econômica nas regiões onde as lojas fecham.
Em Salvador, outro funcionário, com quase 14 anos na empresa, confirma o fechamento da maioria das lojas da rede na cidade. “Infelizmente, a maioria das Casas Bahia de Salvador fechou, demissão em massa, inclusive a loja onde eu trabalho”, relata em vídeo divulgado na última sexta (14). Ele reforça a dureza da situação, mas mantém a esperança para os colegas e clientes.
Setores e regiões afetados pelas demissões
Outra postagem no Instagram mostra um colaborador que estava há sete anos na empresa, registrando a loja vazia enquanto colegas se despedem. “É triste, mas é a realidade”, comenta. No LinkedIn, relatos indicam que as demissões atingiram funcionários de diferentes setores e níveis de contrato, inclusive consultorias de tecnologia. “Encerraram contratos de todas as consultorias, acredito que mais de 200 profissionais”, contou um prestador de serviços.
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Após as demissões, o Secor (Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região) anunciou que entrará com uma ação coletiva contra a empresa. A entidade exige a reintegração dos trabalhadores e indenização por danos morais, questionando a forma como as demissões foram conduzidas. Segundo o sindicato, muitos funcionários foram surpreendidos com lojas fechadas e sem qualquer aviso prévio, o que gerou ainda mais insegurança e insatisfação.

