Festival Paisagem Sonora: A Cidade Encantada em Som e Cor
O Festival Paisagem Sonora anunciou sua programação para a 8ª edição em um lançamento no Museu Nacional da cultura afro-brasileira (MUNCAB), em Salvador. A escolha do museu como sede reforça o compromisso do evento com a valorização da cultura afro-brasileira, que acontece de 10 a 13 de dezembro. Sob o tema “Cidade Encantada”, o festival apresenta uma combinação rica de shows, seminários, oficinas, lançamentos literários e performances artísticas. A abertura promete ser memorável com o encontro do baiano Mateus Aleluia, a cantora cabo-verdiana Mayra Andrade e a Orquestra Afrosinfônica.
Entre Pesquisa, Extensão e Cultura: A Política Pública do Paisagem Sonora
Originado no Recôncavo baiano, o festival integra o programa Paisagem Sonora da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Com apoio da SECADI/MEC, Fundação Cultural Palmares e Ministério da Cultura, o evento vai muito além de uma simples celebração artística. Ele funciona como uma política pública que conecta pesquisa, cultura e ancestralidade, consolidando-se como espaço para diálogo entre música, artes visuais, educação, memória, patrimônio, culturas digitais e experiências afro-diaspóricas. Em 2026, o festival também acolhe o II Seminário Nacional de Educação e Música, discutindo formas de transmitir conhecimentos pela música, corpo, imagem, oralidade e experiência.
“Cidade Encantada”: O Som de Salvador e a Homenagem a Babalu
O tema propõe uma Salvador que deve ser ouvida tanto quanto vista. A cidade ganha vida através dos sons que permeiam suas ruas, festas e saberes passados entre gerações. Essa atmosfera está presente nas obras do artista Babalu, homenageado da edição, cuja visão da cidade se revela como uma Salvador encantada e reinventada. Danilo Barata, Pró-Reitor de Extensão e Cultura da UFRB, destaca que a homenagem busca traduzir essa Salvador mágica tanto pela visualidade, com a publicação “Babalu e a Cidade Encantada”, quanto na música e nas histórias transmitidas de avô para netos.
Programação que Une Gerações e Amplia o Diálogo Cultural
O festival abre espaço para artistas consagrados como Mateus Aleluia, Sapopemba, Gerônimo Santana e Márcia Short, que dialogam com o público jovem e de todas as idades. Danilo Barata ressalta que a proposta é aproximar o público não só da música, mas também do pensamento e da trajetória desses artistas. A programação começa já na quarta-feira (9) com oficinas para profissionais, abordando montagem e direção de palco, curadoria, produção em festivais e concepção de luz.
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Fonte: londrinagora.com.br
No dia 10, a abertura oficial traz a performance dos Alabês do Terreiro Axé Ojú Onirê e uma mesa de debates com figuras importantes como Georgina Gonçalves, reitora da UFRB, e Zara Figueiredo, secretária da SECADI/MEC. O lançamento do box infantil “Cantos de Avô”, de Mateus Aleluia, e o show de abertura com Mayra Andrade e a Orquestra Afrosinfônica completam a noite.
Seminários, Mesas e Shows que Exploram Cultura e Educação
Nos dias seguintes, o festival mistura seminários e apresentações musicais. Na sexta-feira (11), temas como “Cantos de Avô: Histórias Afro-atlânticas de Aleluia” e “Música e Territórios” são debatidos, seguidos por shows de Alessandra Leão, Sapopemba e Vox Sambou. No sábado (12), as discussões focam em educação antirracista e nas “Visualidades do Carnaval Negro”, com participação de artistas e pesquisadores. À noite, Gerônimo Santana se apresenta com Márcia Short e o Cortejo Afro.
O domingo (13) é dedicado ao público infanto-juvenil, com atrações como animação sobre Mateus Aleluia, oficina de breaking com B-Girl Thina Reis e performances de hip-hop. O encerramento reúne o lançamento do livro-objeto “Histórias de Ogum”, de J Cunha, e a estreia do programa Multiplus no MUNCAB.
Oficinas e Atividades Paralelas para Amplificar a Experiência
Durante todo o festival, o público poderá participar de oficinas de VJ, DJ e design de roupa de festa. Antes dos shows, sets com VJs e DJs criam uma atmosfera que conecta a tradição com as culturas digitais e a cena contemporânea.
Parceria Estratégica com o MUNCAB e Novas Redes de Cultura Negra
A parceria entre o Festival Paisagem Sonora e o MUNCAB reforça a missão de fortalecer as culturas afro-brasileiras. Para Cintia Maria, diretora-geral do museu, o evento é uma oportunidade para ampliar a circulação artística negra e fomentar encontros entre artistas, pesquisadores e a sociedade. Essa colaboração inaugura um espaço que é ao mesmo tempo museu, palco e ponto de convergência cultural, consolidando o festival como uma plataforma de circulação e fortalecimento do patrimônio cultural afro-brasileiro.
Lançamento Literário e Ampliação do Debate sobre Desigualdade Racial
O lançamento da programação também contou com o lançamento do livro “Poder e Preconceito: Desigualdade Racial nos Estados Unidos, Brasil e Nova Escócia”, de Martin Carnoy e Michael França, seguido de uma mesa de apresentação mediada por Zara Figueiredo. A PS Magazine, revista do festival, foi distribuída ao público presente, ampliando o debate e o acesso a conteúdos relevantes sobre a temática racial.

