Investimento robusto em terras raras fortalece posição do Brasil no mercado global
Com um aporte de R$ 3,6 bilhões, uma multinacional australiana planeja um projeto ambicioso de exploração e processamento de terras raras na Bahia. O investimento se destaca em um momento em que o Congresso Nacional discute o Projeto de Lei dos minerais críticos, que pode definir o futuro dessa cadeia estratégica no Brasil. Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, Renato Gonzaga, presidente da empresa, reforça o potencial do país para se tornar um ator relevante globalmente, mas também alerta para os riscos de uma regulamentação excessivamente intervencionista, que pode desestimular investimentos essenciais para a viabilização dos projetos.
Potencial geológico e desafios do processamento
O Brasil possui reservas de terras raras de alta qualidade, distribuídas em dois tipos de mineralizações: as de rochas duras, como a que a empresa explora em seu projeto, e as de argilas. Atualmente, existem cerca de 30 iniciativas no país, mas apenas cinco estão estruturadas para avançar. “Contamos com a geologia e as reservas, mas ainda estamos nos primeiros passos do processamento, que começa pela concentração e elaboração do carbonato de terras raras”, explica Gonzaga. A etapa seguinte, que envolve a separação dos óxidos, ainda demanda tempo, tecnologia e investimentos, e não é dominada pelo Brasil hoje.
Regulação e investimento: o equilíbrio necessário
O executivo ressalta a importância de um marco regulatório que incentive os investimentos, mas critica o texto aprovado na Câmara, que considera excessivamente intervencionista. Segundo ele, o projeto busca construir uma cadeia de processamento e agregar valor internamente, mas a abordagem adotada pode criar barreiras que afugentam o capital necessário. “Há um comitê de notáveis para discutir investimentos sob o argumento da soberania, mas falta clareza sobre sua composição e funcionamento. Isso gera restrições e afasta investidores, que são fundamentais em uma cadeia longa e intensiva em capital”, avalia.
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Fonte: curitibainforma.com.br
Impactos práticos da política atual
As medidas propostas, como restrições à exportação baseadas no grau de agregação de valor e a obrigatoriedade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento vinculados à receita bruta, são temas válidos, mas precisam ser pensados dentro de uma estratégia integrada. Gonzaga alerta que políticas restritivas no topo da cadeia podem elevar o prêmio de risco, encarecer o financiamento e prejudicar a competitividade do setor. Isso pode afetar a imagem do Brasil como destino seguro e lucrativo para investimentos no segmento de terras raras.
Detalhes do projeto na Bahia e parcerias estratégicas
O principal projeto da empresa está localizado na Província Mineral Rocha da Rocha, no Recôncavo Sul da Bahia, abrangendo quase 200 mil hectares. A área apresenta teor de terras raras até 100 vezes superior ao encontrado em mineralizações convencionais de argilas iônicas, o que promete margens vantajosas na produção. A planta de concentração estará em Ubaíra e Jiquiriçá, próximas à mina, e a operação comercial está prevista para começar no final de 2029.
A empresa também firmou uma parceria com a Carester, uma das poucas no mundo ocidental com tecnologia industrial para separar óxidos de terras raras. O acordo inclui um contrato off-take para vender um terço da produção por dez anos, com apoio técnico na rota de separação dos óxidos no Brasil. A expectativa é realizar esse processo em Camaçari, na região metropolitana de Salvador, que oferece logística favorável, acesso ao porto e mão de obra qualificada.
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Avanços e próximos passos
Em 2025, a companhia encerrou o ano com 160 milhões de dólares australianos em caixa, aproximadamente R$ 575,9 milhões, destinados a financiar sondagens, levantamentos geológicos e testes em plantas piloto. O projeto está em processo de licenciamento ambiental junto ao Ibama, com previsão de apresentação do estudo de impacto ambiental até o final deste ano.
Esse investimento robusto e o desenvolvimento da cadeia produtiva das terras raras podem impulsionar a economia regional e nacional, gerando empregos e atraindo novos negócios para o setor. No entanto, o equilíbrio entre regulação e estímulo a investimentos será decisivo para transformar o potencial brasileiro em resultados concretos e sustentáveis.

