Início da Construção com Pendências e Desafios Técnicos
O lançamento da obra da ponte Salvador-Itaparica, no litoral de Vera Cruz, marcou o início oficial de um projeto aguardado desde 2009. O presidente Lula (PT) acionou uma perfuratriz na primeira semana de julho, dando o pontapé inicial para essa estrutura que será a maior ponte da América Latina, com 12,4 quilômetros de extensão sobre a baía de Todos-os-Santos. Apesar da grandiosidade do empreendimento, o evento inicial teve um caráter modesto, com um canteiro de obras ainda pequeno e uma organização às pressas para atender a um calendário eleitoral.
O projeto, cujo contrato foi assinado em 2020 e repactuado em 2025 com um consórcio de empresas chinesas, enfrenta pendências no projeto executivo. Entre as principais dificuldades estão as profundidades que chegam a 60 metros e a diversidade do solo marinho, que alterna entre camadas sedimentares e rochas firmes, exigindo revisões técnicas importantes.
Estratégias para Avançar na Obra e Reduzir Impactos
Com um custo estimado de R$ 11,6 bilhões e previsão de entrega para junho de 2031, a construção seguirá um cronograma de cinco anos. A concessionária responsável já iniciou a montagem dos canteiros e a construção de uma plataforma provisória de cerca de 10 quilômetros, dividida em dois braços. O primeiro será erguido a partir da Ilha de Itaparica e deve ser concluído em abril, dando início à instalação da estrutura a partir da região da feira de São Joaquim, em Salvador.
Esse avanço logístico busca reduzir a dependência de balsas para o transporte de materiais e trabalhadores. Paralelamente, começam as intervenções físicas para a construção dos pilares, que em alguns pontos exigirão fundações com até 120 metros de profundidade. A cravação das estacas, seguida da concretagem dos blocos e pilares, será a base da estrutura.
Complexidade Geológica e Tecnológica da Baía de Todos-os-Santos
As sondagens realizadas revelaram um subsolo mais heterogêneo que o previsto, com camadas alternadas de sedimentos e rochas friáveis. Essa complexidade geológica levou à necessidade de recalcular as fundações em parte da travessia. A profundidade do canal formado na baía, que atinge até 60 metros, representa um desafio tecnológico que, segundo Mateus Dias, secretário estadual extraordinário do Sistema Viário Oeste da gestão Jerônimo Rodrigues (PT), ainda não foi enfrentado em pontes chinesas de maior extensão.
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Fonte: triangulodeminas.com.br
O trecho central da ponte, com vão de 692 metros e 85 metros de altura, é a fase mais crítica da obra. Qualquer atraso nesse estágio pode comprometer o prazo final do projeto.
Infraestrutura de Apoio e Mobilização Local
Os canteiros de obras estão localizados em São Roque do Paraguaçu, Maragogipe, com uma área de aproximadamente 400 mil metros quadrados destinada à produção de peças pré-moldadas. Outros canteiros serão instalados em Salvador e Vera Cruz. Até o momento, cerca de 5 mil toneladas de equipamentos já chegaram e 300 funcionários estão mobilizados, contando com a participação de 27 empresas brasileiras.
Em Salvador, a prefeitura ainda não recebeu o projeto executivo da ponte, tendo sido protocolados apenas processos para serviços preliminares, como sondagem e instalação de canteiro de obras.
Impactos e Planejamento Regional
Além da ponte, o projeto inclui a construção de 4,4 quilômetros de viadutos e túneis em Salvador, uma via expressa de 22 quilômetros na Ilha de Itaparica e a duplicação de 8 quilômetros da BA-001 até a Ponte do Funil. A duplicação do trecho até Santo Antônio de Jesus ficará sob responsabilidade do governo estadual.
O objetivo é criar uma segunda via estruturante para Salvador, atualmente dependente da BR-324, e melhorar a logística entre a capital e o interior. A baía de Todos-os-Santos, embora seja uma vantagem geográfica, representa um desafio econômico para a região sul da Bahia, segundo Mateus Dias.
O projeto, considerado estratégico para o desenvolvimento do estado, enfrenta controvérsias após revisão orçamentária que aumentou os recursos públicos, inquéritos sobre impactos ambientais e estudos sobre a pressão a comunidades tradicionais.
Preocupações Sociais e Gestão da Ponte
Durante o lançamento, o presidente Lula ressaltou a importância da responsabilidade na gestão da obra e alertou para os riscos da especulação imobiliária, visando preservar a tranquilidade dos moradores da ilha, que abriga cerca de 60 mil habitantes. A expectativa é que a população local alcance 250 mil até o final da concessão, prevista para 2060, o que é fundamental para a viabilidade financeira do pedágio.
O governo tem apoiado os municípios na elaboração dos planos diretores, e a via expressa servirá como barreira para proteger as áreas da contracosta, onde estão comunidades tradicionais e biomas sensíveis.
A concessão da ponte ficará a cargo de um consórcio formado pelas estatais China Communications Construction Company (CCCC) e China Railway Construction Corporation (CRCC). O governo da Bahia pagará contraprestações anuais de R$ 371 milhões nos primeiros dez anos e R$ 170 milhões nos dezenove anos seguintes, garantindo a operação e manutenção da estrutura.

