Alta nos casos de queimaduras durante festas juninas na Bahia
Entre os dias 18 e 23 de junho, a Bahia registrou 54 casos de pessoas queimadas, conforme dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab). Destas ocorrências, 34 pacientes receberam atendimento no Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, que é referência no tratamento desse tipo de acidente.
Entre as vítimas, destacam-se 15 crianças, incluindo uma com apenas dois anos, que sofreu queimaduras ao ser atingida por uma espada dentro de casa, na cidade de Cruz das Almas. O menino está internado no HGE, porém seu estado de saúde não foi divulgado.
Acidentes com fogos e espadas impulsionam aumento dos casos
Os incidentes registrados são principalmente causados pelo manuseio inadequado de fogos de artifício e pelas fogueiras, elementos tradicionais das festas juninas na Bahia. O crescimento desses acidentes acende um alerta para os riscos durante esse período, especialmente em relação a explosões e queimaduras que ocorrem em várias regiões do estado.
Na véspera de São João, terça-feira (23), um homem de 47 anos, identificado como Tarcísio Sodré Ramos do Nascimento, faleceu após se queimar enquanto soltava espadas juninas no município de Sapeaçu, no recôncavo baiano.
Comparação dos casos com anos anteriores
Em 2025, entre 18 e 25 de junho, foram contabilizadas 72 ocorrências ligadas às festividades juninas na Bahia. Destas, 24 envolveram queimaduras causadas por fogos ou fogueiras e 48 por explosões de bombas. Em 2024, no mesmo período, foram registradas 66 ocorrências.
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Fonte: joinews.com.br
O HGE recebeu a maioria dos pacientes em 2025, com 53 atendimentos. Outros hospitais também registraram casos: o Regional de Santo Antônio de Jesus atendeu 12 pacientes, o Regional de Juazeiro e o Geral Prado Valadares, em Jequié, cada um com três casos, enquanto o Hospital do Oeste, em Barreiras, registrou um atendimento.
Orientações das autoridades para segurança durante o São João
A Secretaria da Saúde e as autoridades reforçam a necessidade do uso responsável de fogos de artifício e alertam para os perigos que crianças e adolescentes estão expostos nessa época do ano. A Polícia Civil da Bahia emitiu nota destacando que o porte, posse, armazenamento, transporte e uso de espadas de fogo são proibidos no estado, enquadrados no artigo 16 do Estatuto do Desarmamento (Lei Federal nº 10.826/2003), com penas que variam de três a seis anos de reclusão, sem possibilidade de fiança em flagrante.
Apesar de discussões envolvendo um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), ainda não houve implementação completa de regulamentações específicas para o uso desses artefatos. Pessoas flagradas com espadas de fogo podem ser responsabilizadas criminalmente e encaminhadas para as medidas legais cabíveis.
Como agir em caso de queimaduras
Em casos de queimadura, é fundamental buscar atendimento em unidades especializadas, como o Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, o Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus, o Hospital do Oeste, em Barreiras, e o Hospital Regional de Juazeiro.
Para primeiros socorros, recomenda-se resfriar a área afetada com água corrente por vários minutos. Deve-se evitar tocar na queimadura, aplicar gelo diretamente, furar bolhas ou descolar tecidos aderidos. Também é contraindicado usar substâncias caseiras, como manteiga ou creme dental, nos ferimentos.
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Fonte: cidaderecife.com.br
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Fonte: aquiribeirao.com.br
Tradição da Guerra de Espadas e os riscos envolvidos
A Guerra de Espadas é uma tradição popular durante as festas juninas na Bahia, onde espadeiros acendem fogos de artifício e simulam combates nas ruas, transformando-as em verdadeiros campos de batalha. Esse artefato, uma variação mais potente dos tradicionais buscapés, é feito de bambu, pólvora e limalha de ferro.
Desde 2017, fabricar, possuir ou soltar espadas de fogo é crime, com penas que podem chegar a seis anos de prisão. Apesar disso, a prática ainda conta com adeptos e moradores que resistem à suspensão da atividade.
O Corpo de Bombeiros alerta para os perigos da produção artesanal das espadas, muitas vezes realizada em locais improvisados, como barracões e depósitos. Na cidade de Senhor do Bonfim, estima-se que cerca de sete mil pessoas participem anualmente da guerra.
Presença da Guerra de Espadas em Salvador
Em Salvador, as guerras de espadas ocorrem tradicionalmente no subúrbio, especialmente na véspera de São Pedro, no dia 28 de junho. No bairro de Periperi, espadeiros de diversas partes da cidade se reúnem para essa atividade, enquanto moradores buscam proteção para suas casas com papelões e tapumes.
Devido à proibição, a Polícia Militar atua para dispersar os participantes e prender espadeiros. Muitos deles usam equipamentos de proteção, como roupas jeans, capacetes, luvas e óculos, para minimizar o risco de queimaduras graves.

