Encontro Nacional celebra a diversidade gastronômica brasileira
De 8 a 12 de junho de 2026, Salvador será o palco da 5ª edição do Encontro Nacional de Pesquisas em Gastronomias do Brasil (ENPEGASTRO). Com o tema “Gastronomias-corpos-territórios das mãos, dos contos e dos mundos”, o evento reunirá pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais de várias regiões do país para discutir as múltiplas expressões das gastronomias brasileiras, com ênfase nos saberes, práticas e identidades presentes na Bahia.
Organizado pelo Departamento de Gastronomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o ENPEGASTRO conta com parceria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que sediará as atividades nesta edição. A programação envolve conferências, mesas de debates, lançamentos de livros, mostra artística e cultural, além de visitas guiadas por espaços que integram a cultura alimentar de Salvador.
Gastronomia, memória e território em foco
O ENPEGASTRO parte do entendimento de que a gastronomia está profundamente ligada às histórias, territórios e às pessoas que produzem, cultivam, transformam e compartilham alimentos. A edição deste ano busca ampliar a visibilidade das experiências construídas por comunidades tradicionais, agricultores, cozinheiros, pescadores, povos indígenas, quilombolas e outros grupos que fortalecem as culturas alimentares brasileiras.
Conforme a organização, o encontro pretende fortalecer o debate sobre oralidade, memória, escuta e transmissão de conhecimentos, elementos essenciais para a preservação das tradições gastronômicas existentes no país.
Bahia como território de múltiplas gastronomias
Segundo Fernando Santa Clara, coordenador do evento e professor de Gastronomia da UFBA, a gastronomia baiana é um mosaico de identidades formadas em diferentes territórios do estado. Compreender a Bahia implica reconhecer as variadas realidades culturais e alimentares presentes em regiões como o Recôncavo, o Sertão, o Litoral Sul e o Vale do São Francisco.
A programação do encontro busca mostrar essas diversidades gastronômicas, valorizando especialmente os saberes preservados por populações indígenas e comunidades descendentes de pessoas escravizadas, ressaltando a riqueza cultural e social inerente à alimentação na Bahia.
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Gastronomias baianas: herança cultural e social
A alimentação na Bahia está associada não apenas a ingredientes e receitas, mas também aos modos de produção, relações sociais e experiências históricas de cada território. O evento propõe discutir como práticas culinárias, técnicas tradicionais e conhecimentos transmitidos entre gerações colaboram para a preservação dos patrimônios culturais.
Além disso, a programação traz reflexões sobre os corpos que produzem essas gastronomias e a importância de manter as heranças culturais que se manifestam no cotidiano das comunidades.
Salvador: centro da diversidade alimentar
Para Kennedy Ramires Mangerot Ribeiro, coordenador executivo e cultural do ENPEGASTRO, Salvador representa um dos principais polos da diversidade alimentar no Brasil. A cidade abriga influências culturais variadas que se refletem nas formas de preparar, comercializar e compartilhar alimentos, tornando-se um espaço estratégico para a realização do encontro.
A proposta é transformar essa riqueza cultural em objeto de reflexão acadêmica e experiência prática para os participantes, integrando pesquisa, cultura e território.
Pluralidade de saberes nas “gastronomias”
O termo “gastronomias” no plural é uma escolha intencional do evento para representar a diversidade das práticas, territórios, tradições e conhecimentos que compõem o campo gastronômico brasileiro. Cláudia Mesquita Pinto Soares, coordenadora-geral do ENPEGASTRO e professora da UFRJ, explica que essa abordagem reconhece diferentes formas de produção alimentar sem estabelecer hierarquias.
Assim, o evento amplia a compreensão contemporânea da gastronomia, contemplando experiências que vão além dos restaurantes, incluindo comunidades tradicionais, territórios rurais e contextos culturais diversos.
Mostra artística une audiovisual, literatura e memórias
A programação começa no domingo, 8 de junho, das 16h às 20h, no Centro Cultural da Barroquinha, com a Mostra Artística e Cultural. O espaço será dedicado a produções audiovisuais, obras literárias e narrativas relacionadas às gastronomias brasileiras, promovendo o diálogo entre arte, pesquisa e cultura alimentar.
Os organizadores destacam que a mostra valoriza experiências e saberes que muitas vezes não estão formalmente inseridos no meio acadêmico, mas que fazem parte do patrimônio cultural de diversas comunidades.
Conferência Magna homenageia Manuel Querino
Um dos momentos mais aguardados será a Conferência Magna, na quinta-feira, 11 de junho, na Sala Nobre da Reitoria da UFBA. O tema “O Centenário de Manuel Querino: a arte culinária na Bahia como semente do futuro” abordará a contribuição do intelectual baiano para os estudos da cultura e da alimentação.
Além disso, o evento inclui visitas guiadas a espaços tradicionais de Salvador, como a Feira de São Joaquim, o Mercado do Rio Vermelho (Ceasinha), o Pelourinho e bairros como Santo Antônio, Saúde e Mouraria, além da Feira Agroecológica da UFBA.
Lançamentos literários e debates acadêmicos
Durante o encontro, serão lançados dois livros voltados para os estudos gastronômicos: “Gastronomias: movimentos no campo científico”, de Cláudia Mesquita Pinto Soares, e “Comida de origem: Educação, gastronomia, empreendedorismo e sustentabilidade”, de Ivan Bursztyn e Maria Eliza Assis dos Passos.
Essas publicações e os debates que as acompanham reforçam o objetivo do ENPEGASTRO de ampliar a produção acadêmica sobre gastronomia e promover o intercâmbio entre pesquisadores de diferentes regiões do Brasil.

