Terracota: uma travessia cultural entre Minas Gerais e Bahia
Inspirado na emblemática canção “Ponta de Areia”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, o Terracota desembarca em Belo Horizonte para promover uma verdadeira travessia simbólica entre Minas Gerais e Bahia. Até o domingo, 28 de junho, o movimento cultural independente ocupa diversos espaços do bairro Santa Tereza, reunindo música, artes visuais, cerâmica, gastronomia, intervenções urbanas e encontros criativos que celebram a diversidade artística dessas duas regiões.
Origem e proposta colaborativa do Terracota
Idealizado pelo produtor cultural e ceramista Felipe Ferreira, o Terracota nasceu em Trancoso, na Bahia, e chega pela primeira vez à capital mineira. Mais do que um festival tradicional, o projeto se configura como uma plataforma de intercâmbio artístico construída de forma colaborativa. Segundo Felipe, “o Terracota é um movimento feito de artistas para artistas. Todos participam da estrutura, não apenas como convidados, mas também como realizadores. Queremos mostrar que é possível construir algo relevante a partir da união de pessoas que compartilham dos mesmos valores”.
Santa Tereza como palco da cultura e memória
O nome “Ponta de Areia” reflete a conexão entre os dois estados. Mineiro de Itajubá, Felipe se mudou para Belo Horizonte em 2019 e se envolveu com a história do Clube da Esquina. Ele hoje administra o Cais, espaço na rua Divinópolis, em Santa Tereza, frequentado pelos integrantes originais do movimento musical nos anos 1970, que será uma das principais estações do circuito cultural do Terracota.
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Fonte: feirinhadesantana.com.br
“‘Ponta de Areia’ representa essa travessia Bahia-Minas, como um trem que carrega toda essa turma, e cada estação recebe sua origem. O público tem a oportunidade de vivenciar a essência da arte e sua profundidade como veículo de mensagem”, explica Felipe Ferreira.
Programação diversa para todos os públicos
A programação começou na quinta-feira (25/6) com o UAI Sound System e o cantor BNegão, em uma noite de intervenções visuais e experiências sonoras. Nesta sexta (26/6), o destaque é a homenagem à ceramista Erli Fantini, referência da arte em Minas Gerais, com roda de conversa, queima raku e atividades coletivas em seu ateliê, além de ações no Instituto Inhotim.
Nos dias 27 e 28 de junho, o foco estará no bairro Santa Tereza, com exposições, demonstrações de cerâmica, feira gastronômica e apresentações musicais que exaltam a identidade mineira. Entre os nomes confirmados estão Júlia Guedes, Flávio Caixeiro, Tattá Spalla, Beto Lopes, além de participações especiais de Telo Borges, Toninho Horta e Wagner Tiso.
Terracota e Santa Tereza: uma parceria que reforça cultura e memória
A escolha de Santa Tereza para sediar o evento não foi casual. Para Felipe Ferreira, o bairro tem uma energia singular, que combina com o espírito do Terracota. “Santa Tereza é como uma cidade do interior dentro de uma grande capital. Aqui, há um respeito pela memória, pela cultura e pelos encontros. O bairro não apenas dialoga com o Terracota, ele ajuda a justificar o projeto”, afirma o produtor.
Com entrada gratuita, o Terracota pretende transformar Santa Tereza em um circuito vivo de criação e convivência, reafirmando o papel da arte como espaço de encontro, memória e construção coletiva entre Minas Gerais e Bahia.

