Desafios e Estratégias para Engajar a Juventude na Política
No Brasil, a juventude é composta por indivíduos entre 15 e 29 anos, representando as gerações Z (1997-2010) e Alpha (2010-2024). Esta nova geração, ao contrário dos seus antecessores, nasceu em um mundo saturado de internet e redes sociais. Com a evolução das plataformas digitais, as mudanças têm se refletido em várias esferas, incluindo a política. A questão que se coloca é: ainda é possível mobilizar os jovens, que estão tão conectados virtualmente?
Para investigar essa realidade, o Bahia Notícias conduziu uma série de reportagens que buscam compreender o cenário atual de renovação política e a participação da juventude nas eleições na Bahia. Este terceiro artigo da série analisa os desafios enfrentados por líderes políticos para estreitar a relação entre os jovens e a política, além de promover o engajamento social, tanto no mundo virtual quanto fora dele.
Os líderes partidários consultados incluem: Ítalo Menezes, do Partido dos Trabalhadores (PT); Felipe Santana, do Partido Social Democrático (PSD); Matheus Pinheiro, do União Brasil; e Yuri Andrade, do Progressistas (PP). Cada um deles traz à tona a necessidade de adaptação para conquistar a atenção da juventude.
Adaptar ou Perder: A Necessidade de Inovação na Política
Apesar das diferenças ideológicas, um consenso emergiu entre as lideranças juvenis: os obstáculos que os jovens enfrentam na política são diversos e os métodos de conexão com esse grupo estão em constante evolução. Segundo Felipe Santana, do PSD, o principal desafio é quebrar tradições que criam barreiras para atrair novos talentos. “As grandes famílias e os mandatos tradicionais dificultam essa renovação”, observa.
Yuri Andrade, prefeito de Pedro Alexandre, ecoa a preocupação de Santana, afirmando que “as velhas práticas políticas” ainda dominam o cenário. Ele menciona que a burocracia excessiva impede a renovação e sugere que, embora tenha esperado mais rapidez na evolução política, as mudanças têm sido lentas.
Apesar dos desafios, Felipe acredita que a juventude pode ser uma peça-chave na transformação política. “Estamos trazendo novas ideias, com uma vontade aguerrida que representa a nossa geração”, afirma.
Por outro lado, Ítalo Menezes destaca que o maior entrave para os jovens é ser ouvido. “Precisamos de um lugar de fala e de espaço para pautar questões”, explica, ressaltando também as limitações orçamentárias que dificultam a participação efetiva dos jovens. “Os recursos são escassos e os candidatos se multiplicam em uma mesma legenda, dificultando a divisão de verbas”, acrescenta.
Matheus Pinheiro, do União Jovem, reafirma que a falta de recursos financeiros e a construção de redes de apoio são barreiras cruciais. Ele ressalta que muitos jovens enfrentam preconceitos que dificultam sua visibilidade em meio a lideranças estabelecidas.
Comunicação Eficaz: O Papel das Redes Sociais
Para se conectar com uma juventude que está “cronicamente online”, adaptá-las na comunicação é fundamental. O secretário da Juventude do PT, por exemplo, menciona que o partido tem investido em uma comunicação forte nas redes sociais, utilizando plataformas como TikTok para alcançar o público jovem de forma mais eficaz.
Na oposição, Matheus Pinheiro afirma que o União Brasil está incorporando temas atuais, como inovação e diversidade, para atrair os jovens. “Estamos nos adaptando a esse novo método de engajamento digital”, afirma.
Esta mudança de abordagem é necessária para encontrar um equilíbrio entre as interações presenciais e virtuais, algo que os líderes políticos reconhecem como crucial.
Mobilização: Entre o Virtual e o Presencial
Felipe Santana acredita que a verdadeira mobilização dos jovens depende da qualidade do diálogo político que lhes é oferecido. “É necessária uma comunicação que desperte o interesse dos jovens em participar dos projetos políticos”, afirma. Ele propõe que a maneira de se comunicar com os jovens deve ser semelhante à que se utiliza com outras gerações.
Ítalo Menezes reforça a ideia de que é preciso “pautar” os jovens em debates políticos, tanto online quanto nas ruas, mencionando as recentes mobilizações do PT em Salvador.
No entanto, Yuri Andrade expressa uma preocupação com a falta de engajamento espontâneo dos jovens na política. Ele sugere que o afastamento político é um perigo, especialmente quando se observa que o envolvimento político online é forte, mas difícil de traduzir em ações concretas “no campo”.
Matheus Pinheiro acrescenta que cada nova geração traz uma perspectiva única, sendo a tecnologia uma marca definidora do atual cenário jovem. “Essa nova dinâmica pode trazer inovações importantes para os partidos”, acredita.
No entanto, ele não hesita em reconhecer as críticas que a geração jovem enfrenta. “Os jovens mobilizam-se facilmente online, mas essa ação muitas vezes não se traduz em mobilização política real”, conclui.
Um Chamado à Ação Conjunta
Os líderes políticos concordam que é necessário criar um ambiente que valorize a participação dos jovens. Felipe Santana afirma que as redes sociais devem ser um espaço de inclusão, não de exclusão. “Precisamos trazer os jovens para o centro das discussões e decisões”, defende.
Concluindo, Ítalo Menezes ressalta que é preciso usar a experiência dessa nova geração como uma ferramenta para o engajamento. “Queremos mais jovens envolvidos na política, formando um legado que una qualidade e uma formação política adequada”, finaliza.


