Mobilização de Grande Impacto
A Bahia é palco, desde a última quarta-feira (8), de uma das mais significativas mobilizações sociais do calendário agrário do estado. A Marcha Estadual pela Reforma Agrária, promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), reúne famílias acampadas, assentadas e militantes de várias regiões, com a participação ativa do Partido dos Trabalhadores (PT) da Bahia. O percurso iniciou em Feira de Santana e seguirão até Salvador, somando mais de 120 quilômetros de caminhada, com encerramento previsto para a próxima sexta-feira (17).
Memória e Pautas Agrárias
Este ano, a marcha carrega um simbolismo histórico significativo ao rememorar os 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, um dos episódios mais violentos da história recente do Brasil na luta por terra. Sob o lema “Por Memória, Justiça e Reforma Agrária Popular”, a mobilização destaca a importância de manter viva a discussão sobre a violência no campo, além da busca por políticas públicas que atendam às demandas do setor.
A caminhada também integra a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, que acontece em todo o Brasil entre os dias 13 e 17 de abril, com o tema “Em defesa da Reforma Agrária Popular: basta de violência contra os povos e a natureza”. Essa articulação nacional visa ampliar o alcance das reivindicações, unindo diferentes estados em torno de pautas comuns.
Articulação Política do PT Bahia
A presença do PT Bahia na mobilização ressalta a ligação histórica entre o partido e os movimentos sociais do campo, especialmente com o MST. O presidente estadual do partido, Tássio Brito, está acompanhando a marcha e enfatiza que a proposta de Reforma Agrária Popular defendida pelo movimento vai além da mera redistribuição de terras.
Conforme a perspectiva do partido, essa proposta é um convite a um modelo de desenvolvimento rural que privilegia a sustentabilidade, a valorização dos recursos naturais e a promoção de relações sociais mais justas. Esse enfoque também dá destaque à produção de alimentos saudáveis e ao fortalecimento da agricultura familiar, consideradas fundamentais para a segurança alimentar no país.
Papel do MST na Agroecologia
Outro aspecto destacado durante a marcha é o papel do MST na agricultura nacional. O movimento é reconhecido, há mais de uma década, por liderar a produção de arroz orgânico na América Latina e por implementar práticas voltadas à agroecologia. Essa abordagem busca minimizar o uso de insumos químicos e promover métodos sustentáveis, alinhando-se às crescentes demandas por uma alimentação mais saudável.
“O MST é uma referência na produção de arroz orgânico da América Latina; cultivamos alimentos livres de veneno, com base em princípios agroecológicos que sustentam a alimentação básica do brasileiro. A marcha é um espaço crucial para debater os desafios da luta pela terra, em memória aos lutadores e lutadoras do campo, que foram brutalmente assassinados, e àqueles que continuam enfrentando diversas formas de violência decorrentes do latifúndio e do agronegócio”, declarou Tássio Brito, presidente do PT Bahia.
Neste contexto, a marcha também se configura como um espaço para discutir os desafios que ainda afligem o campo, como o acesso à terra, as condições de produção e as formas de violência que persistem nas áreas rurais. A mobilização reafirma a urgência de políticas públicas que garantam os direitos das populações rurais.
Atividades e Conscientização
Durante os nove dias de caminhada entre Feira de Santana e Salvador, os participantes terão a oportunidade de realizar atos públicos, debates e atividades de conscientização, ampliando a visibilidade das pautas que defendem. A presença de diversos segmentos sociais, incluindo militantes, agricultores e lideranças políticas, contribui para dar uma dimensão estadual à mobilização.


