Operação contra esquema ilícito em Salvador afasta secretário e vereador
Na segunda-feira (13), uma operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público da Bahia (MP-BA), mirou um suposto esquema criminoso envolvendo agentes públicos e empresários em Salvador. Entre os investigados estavam o ex-secretário municipal Luciano Sandes e o vereador George Carlos Reis Pereira, conhecido como Gordinho da Favela (PP). Ambos foram afastados dos cargos pela Justiça da Bahia no mesmo dia da ação, que também cumpriu mandados de busca e apreensão e bloqueou bens em valores compatíveis com o montante investigado. Ao todo, 19 pessoas e cinco empresas foram alvos da operação.
Como funcionava o esquema investigado pelo MP-BA
Segundo apuração do Gaeco, a organização criminosa atuava há cerca de 10 anos, estruturada em diversos núcleos que reuniam empresários, servidores públicos e agentes políticos. O grupo atuava para fraudar licitações, superfaturar contratos, desviar recursos públicos, pagar propina e lavar dinheiro.
O funcionamento do esquema envolvia um grupo de empresas, supostamente controladas pelos mesmos empresários, que combinavam participação em licitações para criar falsa concorrência. Servidores e gestores públicos direcionavam os editais para favorecer essas empresas, que fechavam contratos com pagamentos de aditivos, elevando os valores contratados. Por fim, operadores financeiros realizavam repasses ilícitos para servidores públicos e integrantes das comissões de licitação.
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Fonte: amapainforma.com.br
Principais envolvidos e papéis na organização
O núcleo empresarial era liderado por Lázaro de Carvalho Nunes, Caroline Xavier da Cruz, Jandson de Carvalho Nunes e Ivan Rodrigo Ferreira de Almeida, que eram os proprietários e gestores do conglomerado de empresas. No âmbito público, Luciano Sandes e o vereador Gordinho da Favela eram apontados como figuras centrais, responsáveis pela gestão política e administrativa que permitia o ingresso e a manutenção das empresas nos contratos da prefeitura. Eles exerciam influência direta sobre decisões de pagamento e aditamentos contratuais.
Irregularidades financeiras detectadas na investigação
Entre as irregularidades, destaca-se um contrato da Secretaria de Manutenção (Seman) cujo valor inicial era de aproximadamente R$ 9 milhões, mas que teve pagamentos que ultrapassaram R$ 15,2 milhões, indicando um superfaturamento superior a 60%. Outro contrato da Desal para compra de grama sintética teve valor inicial de cerca de R$ 434 mil, mas os pagamentos ultrapassaram R$ 1,4 milhão.
Repercussão e posicionamentos dos envolvidos
A Prefeitura de Salvador informou que cumprirá a determinação judicial e colaborará com as investigações, além de abrir procedimento administrativo para avaliar eventuais prejuízos aos cofres públicos. A Câmara Municipal destacou que o vereador Gordinho da Favela está licenciado do mandato desde 18 de maio por 140 dias, e que acompanha a operação com atenção enquanto aguarda notificação oficial para adotar providências regulares.
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Fonte: acreverdade.com.br
Luciano Sandes declarou que recebeu a operação com surpresa, mas mantém serenidade e confiança na apuração dos fatos, afirmando sua inocência. Ele solicitou exoneração da Secretaria de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro (SACPB) para se dedicar à defesa. Já o vereador afirmou desconhecer os elementos que fundamentaram a investigação, pois não teve acesso aos documentos, mas se coloca à disposição para esclarecimentos e confia na legalidade de suas condutas.
As defesas de Lázaro de Carvalho Nunes e Caroline Xavier da Cruz afirmaram que adotam medidas para esclarecer os fatos, ressaltando que sempre exerceram atividade empresarial lícita e ética. Até o momento, não foi possível contatar as defesas de Jandson de Carvalho Nunes e Ivan Rodrigo Ferreira de Almeida.
Próximos passos na investigação e desdobramentos
O Ministério Público da Bahia permanece com a investigação em curso, enquanto a Justiça avalia medidas cabíveis diante dos afastamentos e bloqueios realizados. A operação evidencia a atuação de uma organização criminosa que, por uma década, teria manipulado contratos públicos em Salvador, impactando diretamente a gestão municipal e os recursos destinados à população. Os próximos movimentos deverão incluir a análise dos procedimentos administrativos internos e possíveis novas etapas judiciais.

