Inovação tecnológica transforma água salobra em recurso para irrigação
Poços com água salobra, muitas vezes desprezados pelos produtores rurais por serem considerados inadequados para a agricultura, começam a ser reaproveitados graças a uma tecnologia inovadora. Durante o 6º Fórum Estadual dos Gestores Municipais da Agropecuária da Bahia (Feagri), realizado nesta quarta-feira (27) em Salvador pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (SEAGRI), foram discutidos avanços que podem mudar a realidade do setor no estado.
A tecnologia israelense Alvatec, apresentada no evento, utiliza um processo de energização para tratar a água, dissolvendo os sais presentes em águas salobras ou com excesso de bicarbonatos, cálcio e magnésio. Luiz de Mestayne, consultor em agricultura irrigada, detalhou que o equipamento torna possível transformar água de poços artesianos de baixa qualidade em recurso viável para irrigação. Essa solução já está em operação em fazendas baianas, com resultados positivos comprovados no campo.
Política de outorga hídrica busca equilíbrio no uso da água
Além da inovação tecnológica, o fórum também abordou a política de outorga hídrica na Bahia, fundamental para a gestão sustentável dos recursos hídricos no meio rural. Eduardo Topázio, diretor-geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (INEMA), explicou que a outorga não deve ser vista como uma restrição, mas como um instrumento que visa equilibrar o uso da água entre diferentes usuários.
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De acordo com Topázio, a legislação estadual define normas técnicas para a captação hídrica, incluindo o monitoramento das águas subterrâneas com base no nível dos aquíferos. O uso pode ser suspenso temporariamente em situações de redução excessiva, garantindo a preservação do recurso.
Ele ressaltou ainda que a água é um bem público e que o Estado atua como mediador para evitar conflitos entre usuários. Nesse sentido, os comitês de bacias hidrográficas desempenham papel central ao promover espaços de negociação e soluções equilibradas entre produtores e a coletividade.

