Intercâmbio em Sergipe amplia troca de experiências entre comunidades tradicionais
Entre os dias 10 e 13 de março de 2026, o Projeto Semeando o Bem Viver, realizado pelo Movimento de Organização Comunitária (MOC) em parceria com a Petrobras, promoveu um intercâmbio em Indiaroba, Sergipe, reunindo agricultores familiares e lideranças da Bahia e Sergipe. O objetivo foi fortalecer o empreendedorismo comunitário, a economia solidária e o cooperativismo, além de facilitar o acesso a políticas públicas.
O grupo visitou a comunidade de Terra Caída, onde conheceu iniciativas de turismo de base comunitária, pesca e artesanato. Essa combinação entre cultura e geração de renda destaca a importância da valorização das práticas locais para a sustentabilidade econômica. No Assentamento Sete Brejos, a experiência da Cooperativa de Agricultores Familiares (COOPERAFIR) mostrou como a organização coletiva é fundamental para fortalecer o território e ampliar o impacto social e econômico.
Comunidades quilombolas e economia local se destacam na programação
Na Comunidade Quilombola Desterro do Félix, o intercâmbio promoveu a troca de saberes e o fortalecimento da identidade territorial. Essa convivência reforça o papel das comunidades quilombolas no desenvolvimento sustentável baseado na cooperação.
Outra visita importante ocorreu na Comunidade de Colônia, onde práticas de organização comunitária voltadas à produção local foram apresentadas. A articulação entre moradores e agricultores amplia a capacidade de comercialização e fortalece a sustentabilidade econômica dos empreendimentos.
Na sede de Indiaroba, o grupo conheceu o Banco Popular de Indiaroba (BPI), que utiliza a moeda social Aratu para estimular o comércio regional e oferecer alternativas de financiamento a pequenos produtores. Essa iniciativa contribui para a circulação de recursos no território, favorecendo o desenvolvimento local.
Depoimento reforça aprendizado coletivo e valorização do conhecimento local
A agricultora Aline Fernandes da Silva, da Comunidade Quilombola de Olhos d’Água, em Araçás (BA), destacou a importância do intercâmbio como uma oportunidade de aprendizado e troca entre comunidades quilombolas e não quilombolas. Ela ressaltou a riqueza das práticas agrícolas apresentadas e a possibilidade de aplicar esses conhecimentos em sua região.
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Essa experiência exemplifica um dos pilares do Projeto Semeando o Bem Viver: a valorização do saber local como ferramenta para o desenvolvimento. A assistência técnica não se limita a transferir informações, mas incorpora a escuta ativa e o reconhecimento da experiência acumulada, fortalecendo redes sociais e produtivas e ampliando o repertório dos agricultores familiares.
Feira Março Mulher destaca protagonismo feminino e comercialização em Feira de Santana
De 24 a 26 de março de 2026, agricultoras familiares de Catu e Araçás participaram da Feira Março Mulher — Raízes de Empoderamento e Conexão Solidária, na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). O evento reuniu cerca de 200 expositoras e expositores, promovendo a comercialização de produtos oriundos da agricultura familiar e da economia solidária.
Além da exposição, a programação incluiu seminários sobre feminicídio, políticas públicas e agroecologia, integrando formação política, debate social e comercialização. O projeto também organizou uma roda de conversa sobre energias renováveis, abordando soluções para reduzir custos e melhorar as condições de vida no campo.
A comercialização direta na feira fortalece os circuitos curtos de produção, aproximando produtor e consumidor, valorizando a produção local e ampliando a renda dos pequenos agricultores ao reduzir a dependência de intermediários.
Oficina em Brasília debate sistemas alimentares sustentáveis
No dia 9 de abril de 2026, Brasília sediou a oficina de lançamento da iniciativa TEEBagrifood no Brasil. O encontro reuniu representantes de ministérios, sociedade civil e organismos internacionais para discutir caminhos que promovam sistemas alimentares urbanos mais inclusivos, sustentáveis e resilientes.
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Durante o evento, foram realizados painéis institucionais e técnicos que focaram na integração de valores sociais, ambientais e culturais às políticas públicas alimentares. Também foram mapeadas demandas e construídas recomendações para fortalecer a agroecologia e a produção local de alimentos.
O Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), representado por Gisleide Carneiro, reforçou a importância da articulação entre atores públicos, sociedade civil e iniciativas comunitárias, reafirmando a conexão entre o Semeando o Bem Viver e a agenda nacional de segurança alimentar sustentável.
Agricultura familiar, agroecologia e economia solidária: uma abordagem integrada
As ações realizadas entre março e abril demonstram que o Projeto Semeando o Bem Viver trabalha com uma abordagem integrada, combinando agricultura familiar, economia solidária, protagonismo feminino e segurança alimentar como dimensões complementares para o desenvolvimento territorial.
Essa integração se manifesta no intercâmbio em Sergipe, na participação das agricultoras na Feira Março Mulher e nos debates nacionais sobre sistemas alimentares. O foco está em fortalecer comunidades, ampliar conhecimentos práticos, incentivar a organização coletiva e criar condições para geração de renda baseada na produção local.
Além disso, o projeto destaca a necessidade de diálogo entre políticas públicas e realidades territoriais, aproximando formulação institucional e experiência comunitária para resultados mais efetivos e consistentes.

