Recuperação judicial como estratégia para crédito de curto prazo
A Casas Bahia anunciou que a recuperação judicial será fundamental para captar linhas de crédito de curto prazo e viabilizar a venda de ativos, segundo o presidente da empresa, Renato Franklin. A declaração foi feita em teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre, logo após o pedido oficial de recuperação financeira.
Franklin explicou que é necessário eliminar um passivo estrutural antigo, que a companhia vinha tentando resolver desde 2023 sem recorrer à recuperação judicial. Essa medida busca aliviar as obrigações que comprometem o equilíbrio financeiro da varejista.
Redução de investimentos e fechamento de lojas
Como parte da segunda fase do plano de transformação, a Casas Bahia reduziu seus investimentos em quase 40%. Essa etapa envolve o fechamento de 298 lojas menos rentáveis, uma redução significativa na estrutura corporativa, além da revisão de contratos e despesas.
As unidades fechadas apresentavam uma participação do crediário nas vendas 7 pontos percentuais menor que a média, afetando negativamente a rentabilidade dessas lojas. Além disso, a empresa decidiu diminuir volumes em canais online com margem negativa e acelerar a monetização de ativos não essenciais.
Renato Franklin ressaltou que a empresa voltou a priorizar a geração de caixa e a rentabilidade, ajustando o tamanho da operação à capacidade de financiamento disponível. A meta é ter uma operação menor, mais eficiente e capaz de sustentar suas necessidades financeiras.
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Previsão conservadora para o consumo e crédito
O CEO afirmou que a Casas Bahia não espera retomar o crescimento nos próximos dois anos. A segunda fase do plano foi elaborada considerando uma perspectiva conservadora para o consumo e o crédito, com um cenário para 2027 pior que o de 2026.
Entre as variáveis consideradas, o empréstimo consignado tem dado algum fôlego ao consumo, mas cria um passivo futuro para os consumidores. O redimensionamento da companhia corresponde à retirada de quase 30% das lojas e da redução dos custos, com as unidades fechadas representando cerca de 14% da receita.
A infraestrutura da Casas Bahia será mantida para sustentar uma possível recuperação quando o ambiente econômico se mostrar mais favorável. Os 298 fechamentos foram realizados em uma única etapa, e a empresa não prevê novos ajustes na rede, a menos que o cenário se deteriore ainda mais.
Desafios com crédito e fornecedores
A redução dos limites concedidos por seguradoras de crédito comprometeu a capacidade de compra da Casas Bahia. Embora a empresa tenha conseguido alongar os prazos de pagamento com fornecedores, o crédito disponível não aumentou, dificultando a recomposição de estoques.
Entre o primeiro e o segundo trimestre, os estoques diminuíram R$ 1,160 bilhão, o que contribuiu para uma geração de caixa livre de R$ 798 milhões nesse período. Franklin destacou que essa redução favorece o capital de giro no curto prazo, mas pode causar dificuldades de ruptura no segundo semestre.
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Captação internacional e plano de negócios
A operação de captação internacional da Casas Bahia segue em negociação, mas ainda não tem data para conclusão nem compromisso firme de aporte. O atraso foi causado pela piora do cenário macroeconômico e geopolítico, que também elevou o custo da operação.
Sem garantia do ingresso dos recursos, a companhia retirou a captação internacional do seu plano de negócios. A opção de uma oferta subsequente de ações também foi descartada após o fechamento da janela de mercado em abril.
Liquidez apertada e perspectivas
Apesar do alongamento dos prazos com fornecedores, a liquidez da empresa permanece apertada, segundo Franklin. A operação está funcionando, mas a restrição no crédito oferecido pelas seguradoras limita a capacidade de compra da varejista.
O cenário atual reforça a necessidade de ajustes para garantir a sustentabilidade financeira da Casas Bahia, que busca equilibrar suas operações para enfrentar os desafios econômicos recentes.

