Negociação busca minimizar impacto das demissões
O sindicato Comercial de São Paulo prepara ação judicial para contestar as demissões em massa anunciadas pelas Casas Bahia. A entidade busca negociar benefícios adicionais e garantir a realocação de gestantes e funcionários em situação de vulnerabilidade. Caso a Justiça não aceite a ação, o sindicato pretende priorizar a ampliação da assistência médica, indenizações complementares e a transferência das gestantes para outras unidades da rede.
Ricardo Patah, presidente do sindicato, destaca o impacto emocional da situação. “Vários caminhos podem ser buscados para amenizar o sofrimento desses trabalhadores, que chegam ao trabalho e encontram a loja fechada”, afirma.
Reunião decisiva entre sindicato e empresa
Está marcada para amanhã, às 10h, uma reunião entre o sindicato e a direção das Casas Bahia. No encontro, a entidade apresentará propostas para evitar as demissões dos funcionários afetados pela reestruturação.
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Segundo o sindicato, a varejista planeja fechar lojas localizadas em shoppings devido aos altos custos de condomínios e aluguéis. Em junho, a empresa anunciou o fechamento de 298 lojas, o que representa 29% do total da rede.
As Casas Bahia concentram cerca de 30% dos profissionais associados ao sindicato, sendo a maior empregadora entre eles. A entidade afirma que não foi informada previamente sobre os cortes e iniciou mobilizações com distribuição de folhetos nas ruas. O sindicato já exige a lista completa de demissões para avaliar os impactos e prestar atendimento individualizado aos trabalhadores.
Contexto da crise financeira da Casas Bahia
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para renegociar uma dívida de R$ 17,3 bilhões. Do montante, R$ 16,4 bilhões são compromissos quirografários, R$ 754 milhões correspondem a passivos trabalhistas e R$ 154 milhões a débitos com micro e pequenas empresas (ME e EPP).
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A companhia teve prejuízo líquido recorde de R$ 10,1 bilhões, pressionado por ajustes fiscais, incluindo baixa contábil de R$ 5,7 bilhões em impostos diferidos e despesas de R$ 1,8 bilhão com vendas, que cresceram 17% no período.
O agravamento do cenário financeiro foi impulsionado por juros elevados e a falha na captação de recursos no exterior. A empresa informou que a restrição de crédito e os altos custos financeiros impediram alternativas de liquidez, especialmente após a desistência do principal investidor internacional, que participava das negociações em Nova York e Europa.
As ações da Casas Bahia despencaram na Bolsa de Valores, atingindo o menor valor histórico. Os papéis foram negociados a R$ 0,48, com queda de quase 30% logo após o anúncio do pedido de recuperação judicial.

