Bahia reafirma liderança nacional em energias renováveis
No Dia Mundial da Energia, comemorado em 29 de maio, a Bahia destaca-se como protagonista no cenário energético do Brasil. O estado lidera a geração de energia eólica, avança na produção solar fotovoltaica e já alcança uma marca expressiva: 99% da energia elétrica consumida no território baiano provém de fontes renováveis. Essa posição consolidada decorre de uma série de ações estratégicas da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), que tem focado em atrair investimentos estrangeiros e fortalecer toda a cadeia produtiva da energia verde.
Potencial eólico e solar impulsionam economia local
Atualmente, a Bahia é o quinto maior produtor de energia elétrica do país, com cerca de 11,8 GW instalados em energia eólica e 2,97 GW em capacidade solar fotovoltaica. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o estado soma 21 GW de capacidade total, distribuídos em 519 empreendimentos ativos, o que representa 11,36% de toda a capacidade renovável do Brasil.
Segundo Aécio Moreira, secretário em exercício da SDE, o sucesso baiano resulta da combinação entre condições naturais privilegiadas e políticas públicas voltadas à atração de investidores. “No setor eólico, os ventos fortes e constantes do chamado ‘corredor de ventos’ garantem alta eficiência aos parques instalados no interior. Já na geração solar, os elevados índices de irradiação durante o ano favorecem a expansão da energia fotovoltaica em diversas regiões do estado”, explica Moreira.
Além dos recursos naturais, o estado investe em infraestrutura elétrica e logística, oferece segurança jurídica para novos projetos e mantém incentivos fiscais competitivos, criando um ambiente atrativo para negócios no setor energético.
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Interiorização da energia renovável gera desenvolvimento
A expansão das energias renováveis tem transformado o interior da Bahia em um novo polo de crescimento econômico. Cerca de 60% da potência instalada em fontes renováveis está concentrada em geração eólica, totalmente localizada no interior. Na solar fotovoltaica, aproximadamente 80% dos empreendimentos centralizados estão no Semiárido.
Um estudo da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) aponta que municípios com parques eólicos registraram um crescimento médio de 21% no PIB real e aumento de 20% no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em comparação com cidades vizinhas sem esses empreendimentos. O modelo de arrendamento de terras também movimenta a economia local, já que famílias rurais recebem pagamentos pela instalação de turbinas em suas propriedades, o que fortalece o comércio e serviços dos municípios do interior.
Na geração de empregos, a cadeia produtiva das energias renováveis amplia oportunidades em regiões tradicionalmente com baixa industrialização. Dados da ABEEólica indicam que a energia eólica cria cerca de 11 empregos por megawatt instalado, enquanto a Associação Brasileira de energia solar Fotovoltaica (ABSOLAR) estima uma média de 30 empregos por megawatt ao ano na energia solar.
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Fonte: ocuiaba.com.br
Fortalecimento da cadeia produtiva e novos segmentos
A Bahia consolida-se como destino estratégico para grandes empresas do setor. Protocolos de intenções firmados pelo governo estadual e a instalação de players globais reforçam o potencial local. Um exemplo é a BYD, líder mundial em veículos elétricos, que estabeleceu um complexo industrial em Camaçari. No setor eólico, empresas como Goldwind, Sinoma Blade, Arctech e Windey instalaram operações ou centros de pesquisa no estado, contribuindo para o fortalecimento do polo industrial baiano e a geração de empregos qualificados.
Além da liderança em eólica e solar, o estado avança em segmentos emergentes da transição energética. Projetos ligados ao hidrogênio verde, como o protocolo com a GoVerde Energia para produção de metanol e amônia verdes, estão em desenvolvimento. Também crescem investimentos em biodiesel, etanol de milho, combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e HVO, consolidando a Bahia como referência nacional na diversificação energética.
Desafios e perspectivas para o futuro energético da Bahia
Para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, o próximo passo é transformar a liderança em geração renovável em protagonismo industrial e tecnológico, integrando infraestrutura, inovação e desenvolvimento sustentável. A expectativa é que, entre 2027 e 2030, a entrada em operação de novas linhas de transmissão, aliada ao aumento da demanda por datacenters e indústrias eletrointensivas, impulsione um novo ciclo de expansão energética no estado.

