A Importância da Higienização das Mãos
Dados recentes do Ministério da saúde revelam que em 2025, o Brasil registrou um alarmante total de 105.873 óbitos decorrentes de influenza e pneumonia, além de 2.550 mortes associadas ao coronavírus. Esses números acendem um alerta sobre a relevância de práticas simples, mas eficazes, como a higienização adequada das mãos, uma medida essencial na luta contra a disseminação de infecções dentro das instituições de saúde.
No estado da Bahia, a situação é igualmente preocupante. Foram contabilizados 4.659 óbitos por doenças respiratórias, como a gripe e pneumonia, e 97 mortes atribuídas ao coronavírus. A ligação entre a falta de higienização das mãos e a transmissão de doenças é inegável – além das infecções respiratórias, mãos não higienizadas podem facilitar a propagação de outras doenças, como conjuntivite, hepatite A, entre outras.
A infectologista Cláudia Vidal, consultora da Organização Nacional de Acreditação (ONA), destaca a importância dessa prática: “Esse gesto simples pode reduzir em até 40% o risco de infecções, como gripe, diarreia e conjuntivite.”
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Desafios das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde
As infecções hospitalares, conhecidas como infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS), continuam a ser um desafio global. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 30% dos pacientes em unidades de terapia intensiva (UTIs) podem ser afetados por essas infecções. Em nações com menos recursos, o risco se torna alarmante, podendo ser até 20 vezes maior. Projeções indicam que até 2050, até 3,5 milhões de mortes anuais podem ser atribuídas a essas infecções.
O Brasil, apesar dos avanços, ainda enfrenta sérios desafios nesse campo. Relatórios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de 2024 mostram que ainda há progresso a ser feito para reduzir a incidência de IRAS, que se concentram principalmente nas UTIs. As taxas de infecções de corrente sanguínea são preocupantes, chegando a 3,5 casos por mil dias de cateter venoso central nas UTIs. Nas UTIs neonatais, essa taxa se eleva para 6,1 casos, enquanto a pneumonia associada à ventilação mecânica continua a ser uma das IRAS mais frequentes, com taxas chegando a 9,4 casos por mil ventilação mecânica-dia.
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Impacto Econômico das Infecções
Além do impacto na saúde pública, as infecções acarretem altos custos financeiros. Pacientes que contraem infecções podem gerar despesas até 55% maiores em relação aos que não apresentam complicações. Nos Estados Unidos, o custo ultrapassa US$ 40 bilhões anualmente, enquanto na Europa esse valor chega a € 7 bilhões.
Problemas com a Resistência a Antibióticos
A resistência a antibióticos é uma preocupação crescente. A Dra. Cláudia Vidal ressalta que o uso inadequado destes medicamentos não apenas aumenta o risco de resistência bacteriana, mas também impõe custos desnecessários ao sistema de saúde. Dados da OMS indicam que até 2050, cerca de 10 milhões de mortes anuais poderão ser atribuídas a infecções resistentes.
No Brasil, a Anvisa indica que muitos serviços de saúde estão implementando programas para o uso racional de antibióticos. Contudo, apenas 52,7% das 153 instituições analisadas possuem um Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos efetivo, evidenciando fragilidades no controle e monitoramento do uso desses medicamentos.
Por outro lado, o monitoramento no contexto das UTIs é mais frequente. Aproximadamente 95,6% das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar nas UTIs para adultos acompanham o uso de antibióticos, e cerca de 82,8% fazem isso adequadamente nas UTIs pediátricas. Diante da crescente incidência de IRAS e da resistência aos antimicrobianos, a qualidade do cuidado e a segurança do paciente estão em risco. “Fortalecer as medidas de prevenção de infecções é crucial, especialmente a higiene adequada das mãos, que é fundamental para proteger os pacientes e, consequentemente, salvar vidas!”, conclui a infectologista.


