Novas Diretrizes para a Atenção Especializada
No último domingo (26), durante a abertura do 12º Congresso Cosems Bahia, realizado no Centro de Convenções de Salvador, a secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, apresentou uma nova estratégia para otimizar o cuidado especializado no Sistema Único de Saúde (SUS). A conferência, que contou com a presença de gestores municipais, representantes do Ministério da Saúde e profissionais da saúde, buscou responder à pergunta central: como garantir uma atenção especializada mais eficiente e próxima da população?
Com o tema “O novo paradigma da Atenção Especializada na Bahia: da fila ao cuidado integral”, a secretária destacou que a solução não se limita a enfrentar listas de espera. Ela enfatizou a importância de uma rede integrada que conecte a atenção primária com diagnósticos, consultas, cirurgias, transporte e acompanhamento contínuo. “A demanda reprimida começa muito antes de se acumular em uma lista de espera. Muitas vezes, a falta de acompanhamento adequado, o atraso em exames e a falta de articulação entre os serviços de saúde comprometem a assistência”, afirmou Roberta.
A titular da saúde na Bahia destacou que a abordagem da demanda reprimida deve ser mais abrangente, refletindo um percurso assistencial que ainda carece de organização. “Precisamos evitar que o paciente fique ‘peregrinando’ entre os serviços de saúde. O SUS deve oferecer um acompanhamento que garanta referência, contrarreferência e dignidade”, completou.
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Investimentos e Resultados Contundentes
Para respaldar sua argumentação, Roberta Santana apresentou dados sobre os investimentos no setor. Entre 2023 e 2026, a Bahia destinará R$ 39,02 bilhões para a saúde, com a construção de 13 novos hospitais e a adição de mais de 5.500 leitos. Além disso, 26 policlínicas regionais já estão em funcionamento, somando 9,7 milhões de atendimentos e alcançando 416 municípios, o que representa 80,86% da população baiana.
O programa Agora Tem Especialistas está contribuindo com R$ 100 milhões adicionais para ampliar a oferta de serviços, incluindo a extensão de horários e atendimentos aos finais de semana. No que diz respeito aos procedimentos cirúrgicos, a Bahia alcançou a marca de 720 mil cirurgias eletivas, realizadas em 124 unidades, que abrangem tanto a rede própria quanto conveniadas.
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Os números apresentados foram impressionantes: R$ 586 milhões anuais foram destinados a cofinanciamentos, com 1 milhão de atendimentos realizados em 184 feiras de saúde. Ademais, foram realizadas 529 mil mamografias e 476 mil atendimentos de saúde bucal nas escolas. No campo da oncologia, quatro novas Unidades de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons) foram criadas, e três foram ampliadas, com 14 aceleradores lineares em operação e a projeção de chegar a 25 até 2026. No setor de cardiologia, 11 hemodinâmicas estão em funcionamento e outras sete estão em implantação. A Bahia também investiu R$ 200 milhões em saúde digital, resultando no primeiro prontuário eletrônico integrado do país, já implantado em 38 unidades, acumulando 260 milhões de dados na Rede Estadual e 381 painéis de BI operacionais.
Congresso como Catalisador de Mudanças
O congresso, que reúne cerca de 1.500 participantes e recebeu inscrições de 563 experiências de sucesso, foi destacado por Stela Souza, presidente do Cosems Bahia, como um evento fundamental para unir as diversas esferas do planejamento e da execução da saúde. “O SUS é uma realidade que acontece nos territórios, nas unidades básicas, na busca ativa e na escuta da população. O avanço da atenção especializada está intrinsecamente ligado ao fortalecimento da atenção primária”, afirmou Stela.
O secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Sales, reforçou a necessidade de cooperação entre as esferas federal, estadual e municipal. Ele ressaltou o papel crucial da Bahia nesse contexto, destacando a combinação de expansão de serviços, planejamento regional e pactuação com os municípios. “É essencial que todos trabalhem juntos para melhorar a qualidade da saúde pública”, disse.
Roberta Santana finalizou a conferência com uma mensagem clara: “Nenhuma esfera sozinha é suficiente. O Estado, os municípios e o Ministério da Saúde devem unir esforços, com dados, financiamento e um compromisso real, para que possamos transformar a vida das pessoas”.


