A Urgência de Políticas Públicas para o Enfrentamento da Doença
A Doença de Parkinson é uma enfermidade neurológica progressiva, crônica e incapacitante que, embora tratável, não possui cura. Essa condição afeta milhões de pessoas em todo o mundo e exige tratamento contínuo. No Brasil, a realidade é alarmante: estima-se que cerca de 250 mil brasileiros estejam acometidos pela doença, um número que pode ser ainda maior devido à falta de um sistema nacional de registro epidemiológico eficaz.
A Doença de Parkinson atinge especialmente a população idosa, com um aumento significativo de casos em decorrência do envelhecimento demográfico. A maioria dos afetados é diagnosticada após os 60 anos, período em que o cérebro se torna mais vulnerável a essa enfermidade.
Em Salvador, mais de 700 pacientes recebem acompanhamento no Centro de Referência do Idoso (Creasi). Contudo, na Bahia como um todo, a situação é preocupante. Apesar da existência de iniciativas para o tratamento de pacientes em centros especializados, a falta de estatísticas confiáveis, decorrente da subnotificação, complica ainda mais o panorama epidemiológico.
A principal causa da Doença de Parkinson está relacionada à morte de neurônios responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor vital. Esta substância atua no cérebro transmitindo sinais que regulam funções essenciais como prazer, motivação, atenção e controle motor, sendo fundamental para a coordenação dos movimentos. Essa degradação neuronal acontece em uma região do cérebro conhecida como substância negra.
Os sintomas clássicos da doença incluem tremores, rigidez muscular, lentidão nos movimentos e déficit cognitivo. Além disso, pacientes podem apresentar manifestações não motoras, como depressão, distúrbios do sono e comprometimento cognitivo. Os sinais iniciais da Doença de Parkinson podem ser sutis, como dificuldade para abotoar roupas, escrever, levantar-se de uma cadeira, rigidez corporal e dores musculares inexplicáveis.
Infelizmente, a falta de registros nacionais confiáveis leva à subnotificação de casos, o que impede um diagnóstico precoce em muitos deles. O acesso ao tratamento é desigual e, em diversas regiões da Bahia, a carência de neurologistas agrava ainda mais a situação.
O impacto social e econômico da Doença de Parkinson é significativo. A enfermidade gera a necessidade de cuidadores, provoca aposentadorias precoces e eleva os custos tanto para as famílias quanto para o sistema de saúde pública. Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilize medicamentos essenciais, o cuidado integral vai muito além da farmacoterapia. Ele demanda uma abordagem que inclua fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e acompanhamento psicológico.
Diante do atual cenário, é urgentíssimo que políticas públicas permanentes sejam implementadas. A criação de uma política estadual específica para o tratamento da Doença de Parkinson seria um avanço crucial. Essa medida ajudaria a organizar a rede de atenção, promovendo diagnóstico precoce, ampliando o acesso ao tratamento e garantindo suporte adequado aos pacientes.
No Nordeste, e particularmente na Bahia, a concentração de serviços especializados e profissionais neurologistas é baixa, o que aumenta as barreiras de acesso ao diagnóstico e à terapia. A falta de ações coordenadas resulta em condições clínicas mais agravadas, maior número de internações e onera ainda mais o sistema de saúde.
Portanto, é essencial dar visibilidade a essa condição, ampliar o acesso ao cuidado e estruturar políticas públicas eficazes. Essas medidas são fundamentais para assegurar qualidade de vida a milhares de brasileiros, entre os quais me incluo. O momento exige ação. A construção de uma política sólida é o caminho para transformar a realidade de quem convive com essa doença.
O enfrentamento da Doença de Parkinson vai além de uma questão de saúde pública; trata-se de um compromisso com a dignidade humana.


