A Revolução dos Drones no Campo
Os drones agrícolas estão ganhando cada vez mais espaço no Brasil, apresentando inovações significativas para o agronegócio, especialmente na Bahia. Conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o número de drones em operação nas propriedades rurais saltou de aproximadamente 3 mil em 2021 para impressionantes 35 mil em 2025. Esse crescimento notável reflete o aumento do investimento em tecnologia por parte dos produtores, que buscam não apenas expandir a eficiência, mas também reduzir custos e otimizar o manejo nas lavouras.
No âmbito do agronegócio, os drones trazem uma variedade de aplicações, tanto no setor agrícola quanto na pecuária. Atualmente, a utilização mais comum da tecnologia é para a pulverização de defensivos agropecuários, atuando no manejo de pragas, doenças e plantas invasoras. Além de pulverizar, esses equipamentos são fundamentais no monitoramento de rebanhos e lavouras, georreferenciamento de propriedades, levantamentos topográficos e acompanhamento da saúde das culturas.
Produção de Drones na Bahia
A Bahia se destaca também na fabricação de drones agrícolas. A empresa Gteex, localizada em Ilhéus, tem se dedicado à produção de tecnologia embarcada para equipamentos com diversas aplicações, com foco especial na pulverização. O King 150 Max, por exemplo, é considerado o maior drone agrícola da América Latina, possuindo capacidade para 150 litros e projetado para operações em grandes áreas.
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Danilo Pazotto, gestor de Canais da Gteex, ressalta que os drones inicialmente chegaram às grandes culturas, como soja, milho e algodão, no oeste da Bahia, onde os produtores estão mais capitalizados e abertos à inovação. Contudo, Pazotto observa uma expansão significativa do uso da tecnologia também em outras culturas e regiões. “O café do sul e do oeste da Bahia, os citros do Litoral Norte e as frutas do Vale do São Francisco estão cada vez mais integrando os drones em seus manejos fitossanitários”, afirma.
Experiência Prática em Fazenda
Na Fazenda Pillati, localizada em Formosa do Rio Preto, a tecnologia dos drones é utilizada há mais de quatro anos na aplicação de fungicidas, fertilizantes foliares e inseticidas. Pablo Alcântara, assistente técnico da fazenda, explica que os drones também são usados para lançar sementes de braquiária no cultivo de milho, visando a formação de palhada. “Além disso, estamos planejando usar drones em aplicações em pivô central, para evitar o amassamento do solo causado pelos pulverizadores tradicionais”, complementa.
Legalidade e Benefícios do Uso de Drones
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Para a implementação dessa tecnologia, os produtores devem atender a várias exigências legais. De acordo com Pazotto, o registro do drone na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) é essencial, assim como a autorização para acesso ao espaço aéreo por meio do Sistema de Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas (Sarpas), junto ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Além disso, a formação dos pilotos por meio do Curso para Aplicação Aeroagrícola Remota (Caar) é um requisito crucial.
Os benefícios do uso de drones são notáveis, com destaque para a relação custo-benefício. Em Luís Eduardo Magalhães, a loja Dronelem oferece drones que variam de R$ 99 mil, com capacidade para 20 litros, até R$ 205 mil, para versões de 100 litros. Esses valores tornam o investimento em drones mais acessível quando comparado a pulverizadores autopropelidos, que ultrapassam R$ 1 milhão, ou aeronaves agrícolas, com valores entre R$ 3,5 milhões e R$ 5 milhões.
Desafios e Perspectivas Futuras
Carlos Lima, coordenador de inovação do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), destaca que, apesar dos benefícios, ainda existem desafios a serem enfrentados. O alto custo inicial e a dificuldade de acesso ao crédito são barreiras significativas, especialmente para os pequenos produtores. Além disso, a capacitação técnica para a operação dos drones e a interpretação dos dados gerados são fundamentais para a sua plena utilização.
Outros obstáculos incluem a regulação e a formalização do setor, que podem limitar o mercado, bem como a infraestrutura digital insuficiente em algumas regiões. Por fim, a resistência à inovação em áreas menos tecnificadas também pode frear a adoção dessa tecnologia.
Felipe Dantas, proprietário da Dronelem, acredita que nos próximos dez anos haverá um crescimento expressivo no uso de drones no agronegócio. “Os novos modelos de drones que estão surgindo irão impulsionar ainda mais o mercado, assim como a tendência de redução nos preços de aquisição”, prevê.
O avanço dos drones sinaliza uma verdadeira transformação no agronegócio baiano. Carlos Lima resume essa mudança: “Estamos passando de uma agricultura pautada na experiência para uma agricultura fundamentada em dados. Aqueles que conseguirem se adaptar a essa nova realidade mais rapidamente terão uma vantagem competitiva significativa no campo.”


