Fluxo Cambial Positivo Reverte Tendência de Saída de Recursos
O Brasil registrou uma entrada líquida de dólares que alcançou US$ 17,78 bilhões (cerca de R$ 91 bilhões) no primeiro semestre do ano, segundo dados do Banco Central. Este valor representa o melhor resultado nominal desde 2018, quando o país recebeu US$ 22,52 bilhões em fluxo cambial positivo. A recuperação é significativa, especialmente após o período negativo de 2025, que teve a maior saída da série histórica do BC, com um saldo negativo de US$ 14,34 bilhões.
Investimentos Estrangeiros e Exportações Fortalecem Câmbio
Além do aumento nas exportações, favorecidas pelo preço mais alto do petróleo, o fluxo de investimento estrangeiro foi decisivo para essa melhora. Com a queda dos juros nos Estados Unidos e as incertezas políticas envolvendo o governo de Donald Trump, investidores buscam diversificar seus investimentos em economias emergentes, como o Brasil. Henrique Aguiar, diretor da Nova Futura, destaca que o país se torna uma opção atrativa pela sua estabilidade relativa entre os emergentes.
Na Bolsa de Valores (B3), o saldo de investimento estrangeiro somou R$ 36,7 bilhões entre janeiro e junho, superando os R$ 26,9 bilhões do mesmo período do ano anterior. Paralelamente, o dólar recuou 6% frente ao real, cotado atualmente a R$ 5,12, enquanto o índice Ibovespa avançou 5,9%, atingindo 172 mil pontos.
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Expectativas para o Segundo Semestre e Riscos Globais
Apesar dos bons resultados no primeiro semestre, economistas antecipam uma possível reversão no fluxo de dólares na segunda metade do ano. As projeções indicam que as taxas de juros nos Estados Unidos e a Selic no Brasil devem permanecer em patamares elevados, diferente do esperado anteriormente. Além disso, fatores como as tensões no Oriente Médio e a proximidade das eleições presidenciais brasileiras aumentam a aversão ao risco entre investidores.
Em relatório, o Itaú BBA aponta que o segmento financeiro já registrou saídas líquidas em junho, reforçando a perda de atratividade do financiamento externo diante do cenário internacional conturbado. O banco revisou suas previsões para a taxa de câmbio, estimando R$ 5,30 para 2026 e R$ 5,50 para 2027, valores superiores aos anteriores.
Também nesta semana, o BTG Pactual atualizou sua projeção para o câmbio no fim de 2026, passando de R$ 4,90 para R$ 5,40. Segundo os economistas do banco, a mudança reflete dados americanos mais fortes do que o esperado, com inflação persistente, o que deve levar a uma política monetária mais rigorosa do Federal Reserve.
Para os próximos meses, o BTG espera que o comércio continue a trazer dólares para o Brasil, enquanto o fluxo financeiro deve manter volatilidade. Outro fator que preocupa é a inflação, pressionada pela alta nos preços de insumos como fertilizantes, impactados pelo conflito no Oriente Médio, e pela chegada do fenômeno climático El Niño, que deve manter os preços dos alimentos em alta.

