Programa Bahia pela Paz leva jovens a experiência cultural na Biblioteca Central
Na última terça-feira (10), 15 jovens do Coletivo Bahia pela Paz Conceição, de Feira de Santana, participaram de uma visita à Biblioteca Central do Estado da Bahia, em Salvador. A ação, realizada pelo Programa Bahia pela Paz, proporcionou um contato direto com o universo da leitura, história e conhecimento, marcando uma experiência de aprendizado e encantamento para os adolescentes.
Essa iniciativa é fruto da colaboração entre os Coletivos Bahia pela Paz, coordenados pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), e a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), por meio da Fundação Pedro Calmon (FPC), responsável pela gestão da biblioteca.
Experiência inclusiva e literária para os jovens participantes
Entre os jovens estava Thalita Alves, de 13 anos, frequentadora do Coletivo Conceição desde o ano passado. Na data comemorativa do Dia da Língua Portuguesa, Thalita destacou o impacto da visita, que a fez mergulhar em um mundo repleto de histórias e descobertas. Ela ressaltou o contato com livros em braille no setor infantojuvenil, reconhecendo a importância da acessibilidade na leitura para todos.
“Gostei muito de conhecer os livros em braille e aprender mais sobre a história daqui. Foi uma experiência diferente, que me fez enxergar a leitura de outra forma e conhecer coisas que eu nunca tinha visto antes”, contou Thalita.
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Atividade literária interativa estimula a leitura e o pensamento crítico
A programação incluiu a atividade “Ficção Puzzle”, criada pela escritora baiana Simone Maryam. Baseada no livro “Eu não posso viver sem você, você pode viver sem mim”, a proposta incentivou os jovens a desvendar enigmas e pistas na narrativa, tornando a leitura uma experiência investigativa e dinâmica. Participaram estudantes da rede pública de Salvador, com premiações em dinheiro e presentes para quem solucionasse os desafios.
Conhecendo a história e os acervos da Biblioteca Central
Após a atividade, o grupo realizou uma visita guiada pela Biblioteca Central, fundada em 13 de maio de 1811, reconhecida como a primeira biblioteca pública do Brasil e da América Latina. Com um acervo de mais de 600 mil itens, o espaço reúne coleções especiais e livros raros que preservam a história e cultura baianas.
Os jovens conheceram acervos importantes, como os do historiador Ubiratan Castro de Araújo, referência nos estudos sobre a formação social da Bahia, e do etnólogo e folclorista Waldeloir Rego, que dedicou sua vida à pesquisa das tradições afro-baianas e da cultura popular. Também visitaram a sala de periódicos e o setor infantojuvenil Betty Coelho.
Parceria fortalece acesso da juventude à cultura e prevenção da violência
Marcos Viana, diretor da Biblioteca Central, ressaltou que a colaboração entre a Fundação Pedro Calmon/Secult-BA e a SJDH amplia o acesso dos jovens à cultura e contribui para ações de prevenção às violências. Segundo ele, promover o pertencimento e a aprendizagem em espaços como a biblioteca é fundamental para fortalecer a cultura de paz.
Kauê Freitas, de 19 anos, que participou acompanhado pelo serviço de psicologia do Coletivo Conceição, destacou a diversidade de conhecimentos encontrados na biblioteca. “Foi a primeira vez que conheci a Biblioteca Central. Tem uma diversidade enorme de livros e de conhecimentos. A gente conhece novas culturas, novas histórias e amplia nossa visão de mundo”, afirmou.
Ao final, os jovens receberam livros por meio de uma parceria entre a Fundação Pedro Calmon, a Livraria LDM e a Editora Rocco.
Ampliação do acervo literário nos coletivos do interior da Bahia
A Fundação Pedro Calmon também doou 80 livros para os Coletivos Bahia pela Paz de Feira de Santana, localizados nos bairros Conceição e Mangabeira. Frank Ribeiro, coordenador geral dos Coletivos Bahia pela Paz do Interior, destacou que os espaços dedicados à leitura vêm se consolidando como pontos de encontro para jovens e suas famílias.
“A ampliação desses acervos representa mais uma oportunidade de estimular o hábito da leitura. Em territórios com índices elevados de violência letal, promover o acesso à cultura, educação e informação é uma estratégia de fortalecimento da cultura de paz e prevenção das violências. Por isso, essa doação tem um significado muito especial para os coletivos”, explicou Frank Ribeiro.

