Guerras e economia: reflexos para o Brasil e a Bahia
Os efeitos dos conflitos internacionais sobre a economia global foram o foco central da 8ª Reunião da Diretoria Plenária da Associação Comercial da Bahia (ACB), realizada na última terça-feira (29). O evento reuniu empresários, juristas e autoridades para acompanhar a palestra do professor Vinicius Mariano de Carvalho, pesquisador do Department of War Studies do King’s College London, referência mundial em estudos de defesa e segurança.
Na abertura, a presidente da ACB, Isabela Suarez, ressaltou a importância de entender as transformações no cenário internacional para o ambiente de negócios local. Ela destacou que debater temas como geopolítica, inovação, segurança econômica e comércio internacional reforça o papel da Associação Comercial como espaço estratégico para o desenvolvimento da Bahia.
Economia como campo de batalha das grandes potências
Vinicius Mariano chamou atenção para a mudança na natureza dos conflitos contemporâneos, que ultrapassam o âmbito militar e utilizam a economia como principal instrumento de influência. Segundo o pesquisador, sanções econômicas, controle de cadeias produtivas, domínio tecnológico e acesso a recursos estratégicos já impactam diretamente empresas e governos, mesmo em países distantes dos principais focos de tensão. “O mundo está vivendo uma consciência de guerra. Muitas vezes, no Brasil, essa percepção parece distante, mas os impactos econômicos já chegaram até nós”, afirmou.
Leia também: Braskem Destaca Avanços em Sustentabilidade e Defesa Comercial no INDEX Bahia 2026
Leia também: Bahia Se Destaca na Corrida Global por Terras Raras e Promete Revolucionar a Economia Brasileira
O professor também destacou a crescente dependência das cadeias globais de suprimentos, que tornaram insumos como fertilizantes, semicondutores e terras raras ativos estratégicos para a economia mundial. A disputa por esses recursos afeta desde a produção industrial até o desenvolvimento da inteligência artificial, mostrando que o crescimento econômico depende não só da riqueza natural, mas também de investimentos em educação, pesquisa e inovação.
Outro ponto importante levantado foi a vulnerabilidade do comércio internacional diante de conflitos em rotas marítimas estratégicas, responsáveis pela maior parte do transporte global de mercadorias. Para o pesquisador, esse cenário exige que os países ampliem o conceito de soberania, fortalecendo sua capacidade tecnológica, digital e econômica para enfrentar períodos de instabilidade.
Parceria entre ACB e Academia de Letras Jurídicas amplia debates estratégicos
Antes da palestra, a ACB e a Academia de Letras Jurídicas da Bahia firmaram um termo de cooperação institucional para a realização de eventos e debates conjuntos. Para o presidente da Academia, Ricardo Maurício Freire Soares, a parceria aproximará o meio jurídico do setor produtivo e ampliará discussões sobre arbitragem, soluções de conflitos, função social da empresa e proteção ao consumidor.
Leia também: BRICS Inicia Projeto de Datacenter Soberano no Brasil e Destaca Bahia no Cenário Digital Global
Entre os participantes da plenária estavam a presidente da ACB, Isabela Suarez; o presidente da Academia de Letras Jurídicas da Bahia, Ricardo Maurício Freire Soares; o professor Vinicius Mariano de Carvalho; o comandante do 2º Distrito Naval, vice-almirante Carlos Henrique de Lima Zampieri; desembargadores Ana Barbuda e Lidivaldo Britto; juíza Patrícia Cerqueira de Oliveira; conselheiro e vice-presidente do Tribunal de Contas dos Municípios, Nelson Vicente Portela Pellegrino; vereador Alexandre Aleluia; ex-presidente da ACB e presidente do LIDE Bahia, Mario Dantas; e o presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Joaci Góes.

