Transparência nas Embalagens de Chocolates Kopenhagen
A Kopenhagen, marca brasileira que passou a integrar o portfólio da Nestlé em 2024, anunciou nesta quarta-feira (6) o lançamento de um selo que visa oferecer maior transparência na cadeia de produção de seus chocolates. Com a introdução do selo K.O.P (Kopenhagen de Origem Protegida), aproximadamente 80 produtos, o que representa cerca de metade do portfólio da marca, estarão com a nova identificação a partir de agosto deste ano. Além do selo, a Kopenhagen também disponibilizou uma plataforma digital que detalha todo o processo produtivo, desde a seleção do cacau nas fazendas até a fabricação artesanal na unidade da empresa.
Fernando Vichi, CEO da Kopenhagen, ressaltou que a criação do selo representa uma evolução das iniciativas já existentes na empresa. “Tínhamos esforços isolados visando a sustentabilidade, mas agora estamos formalizando isso em um programa que comunica claramente nossos compromissos aos consumidores”, declarou ele. O novo rótulo não só valida as ações socioambientais da Kopenhagen, mas também reflete metas ambiciosas, como a redução das emissões de gases de efeito estufa e a garantia de que os grãos de cacau são provenientes de fontes livres de desmatamento e trabalho infantil.
Desafios e Evolução no Setor de Cacau
Atualmente, cerca de 650 produtores fornecem matéria-prima para a Kopenhagen. No entanto, o selo não determinará, por enquanto, a origem específica de cada chocolate. “Identificar todos os agricultores seria um desafio logístico, mas temos planos de evoluir nesse aspecto no futuro”, comentou Pedro Velardo, responsável pela área de marketing e produtos da marca. Essa nova abordagem chega em um momento crítico, já que um relatório da Nestlé prevê uma queda de pelo menos 2% na produção de cacau no Brasil até 2040, em decorrência das mudanças climáticas. Vichi enfatizou que as alterações climáticas não só afetam a economia do setor, mas também impactam a qualidade do chocolate produzido.
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Igor Mota, gerente de agricultura para cacau da Nestlé Brasil, destacou que o selo proporcionará incentivos para que os agricultores reduzam as emissões de CO2 durante a produção. Desde 2024, a Kopenhagen tem monitorado a taxa de emissão nas fazendas, e os resultados devem ser divulgados em breve. “É crucial aumentar a produtividade, já que uma baixa produtividade contribui para uma maior pegada de carbono”, explicou Mota, destacando a necessidade de práticas agrícolas regenerativas para melhorar a eficiência da produção.
Histórias de Produtores e a Realidade do Mercado
A Fazenda Engenho D’Água, situada em São Francisco do Conde (BA), a cerca de 70 km de Salvador, tem sido fornecedora da Nestlé por quatro anos. Com 69 hectares de área produtiva, adota o modelo agroflorestal, cultivando banana e seringa ao lado dos cacaueiros. Mario Augusto Ribeiro, proprietário da fazenda desde 2002, expressou a esperança de que o novo selo traga mais reconhecimento e melhores preços para os agricultores. “Atualmente, o preço do cacau está muito abaixo do custo de produção, impactando severamente a rentabilidade”, afirmou Ribeiro, mencionando que o custo para produzir uma arroba de cacau é de aproximadamente R$ 300, enquanto o preço pago pela indústria fica em torno de R$ 220.
A Fazenda Engenho D’Água possui uma rica história, datando de 1610, e já enfrentou diversas crises ao longo dos anos, como a queda do cultivo de cana-de-açúcar durante a Segunda Guerra Mundial. Com a escolha de variedades de cacau mais resistentes, a produção foi restaurada, mas as mudanças climáticas continuam a ser uma preocupação. “Para produzir qualquer produto agrícola, precisamos seguir as melhores práticas agronômicas, mas dependemos também das condições climáticas”, ressaltou Ribeiro.
As amêndoas de cacau, que são colhidas e fermentadas na região do Recôncavo Baiano, são enviadas para grandes indústrias como Barry Callebaut e Cargill, antes de chegarem à fábrica da Kopenhagen, localizada em Extrema (MG). Com uma equipe de 765 funcionários, a planta consome entre 1.500 e 2.000 toneladas anuais de licor e manteiga de cacau, conforme informou o diretor industrial Michey Piantavinha. A Kopenhagen, estabelecida em 1928, ainda preserva receitas clássicas, como a Bala de Leite, que continua sendo produzida manualmente desde 1943.


