Caso em Uauá gera polêmica e debate sobre a gestão da saúde pública na Bahia
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) emitiu uma nota oficial nesta semana para rebater as críticas feitas pela primeira-dama de Salvador, Rebeca Cardoso, acerca da regulação de pacientes com suspeita de dengue. A declaração da Sesab ocorreu após a morte de uma paciente em Uauá, no sertão baiano, que gerou preocupação e questionamentos sobre a eficiência do sistema de atendimento em saúde. A primeira-dama, em uma publicação nas redes sociais no último sábado (2), expressou indignação e relatou que muitos cidadãos estão enfrentando dificuldades para obter atendimento hospitalar adequado. “Governador, estou aqui como cidadã. Sou filha de Uauá. Pessoas estão morrendo por dengue no município. Uma mãe jovem morreu e deixou dois filhos”, afirmou Cardoso, exigindo uma resposta imediata do governo estadual. Ela enfatizou a necessidade de ações urgentes, alegando que “a regulação é um dever do Estado” e que as pessoas não deveriam passar por situações tão críticas.
Em resposta às alegações, a Sesab defendeu seus procedimentos internos, afirmando que não houve falhas no processo de regulação da paciente. O órgão informou que a solicitação foi registrada às 14h35 e a encaminhamento concluído às 18h13, em um tempo considerado apropriado, ou seja, em menos de quatro horas. “O quadro clínico da paciente era grave no momento da solicitação, apresentando sinais de alerta e manifestações hemorrágicas. É uma perda que lamentamos profundamente”, destacou a nota oficial.
A Secretaria também sublinhou que o caso será investigado de acordo com os protocolos sanitários para confirmar a causa exata da morte, reforçando seu compromisso com a transparência e a segurança no atendimento à saúde.
Críticas à Politização do Caso e Compromissos do Estado
Nesta mesma nota, a Sesab fez uma crítica à politicização do caso, afirmando que a dor de uma família não deve ser utilizada como palanque político. O órgão enfatizou a importância de se aguardar os resultados da apuração técnica antes de formar juízos de valor. “O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), deveria orientar que não se transforme uma tragédia em palanque antes da apuração dos fatos”, disse a secretaria.
O governo estadual também destacou que já está implementando ações significativas para combater a dengue em Uauá e em outros municípios que estão em situação de alerta ou epidemia. Entre as medidas estão a assistência técnica às gestões municipais, o monitoramento epidemiológico da doença, a organização da rede assistencial e a aplicação de UBV (ultra baixo volume) para o controle do mosquito.
De acordo com os dados divulgados, até 27 de abril de 2026, a Bahia registrou um total de 8.106 casos prováveis de dengue, representando uma redução de 45,5% em relação ao mesmo período de 2025. No município de Uauá, foram notificadas 697 ocorrências da doença.
Estratégias Estaduais e Debate sobre Responsabilidades
Além das ações específicas para Uauá, o governo estadual mencionou um reforço nas estratégias de enfrentamento às arboviroses em todo o estado. Entre as iniciativas estão a ampliação da vigilância epidemiológica, a distribuição de testes, o apoio ao manejo clínico e a vacinação da população. Também foi citada a instalação de um Centro de Operações de Emergência e o uso de tecnologias inovadoras, como o método Wolbachia, uma parceria com o Ministério da Saúde e outras prefeituras.
A Sesab enfatizou que o combate à dengue é uma responsabilidade compartilhada entre o Estado e os municípios, especialmente na atenção básica e na eliminação de criadouros do mosquito transmissor. A secretaria mencionou desafios estruturais existentes na capital baiana, com relação à cobertura de agentes comunitários e à organização da atenção primária. “O combate à dengue começa no território, na vigilância municipal e na prevenção. Quando isso não ocorre, há sobrecarga nas urgências”, ressaltou.
Reflexões sobre a Gestão da Saúde Pública
O ocorrido em Uauá e as declarações da primeira-dama acentuam uma discussão crítica sobre a gestão da saúde pública no estado. Enquanto a primeira-dama solicita melhorias na rapidez do atendimento e na regulação de pacientes, o governo estadual reforça que seguiu os protocolos estabelecidos e que suas ações contra a dengue são contínuas e efetivas. A investigação em curso sobre o caso deverá fornecer esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte e auxiliar no aprimoramento das respostas do sistema de saúde frente à dengue no estado da Bahia.


