Família e moradores contestam relato da Polícia Militar sobre morte de vendedor em Salvador
Na noite da última quinta-feira (23), um vendedor de lanches identificado como Leonardo Gil Lima foi morto na localidade de Lessa Ribeiro, em Salvador. Segundo a Polícia Militar (PM), equipes da 49ª Companhia Independente (CIPM) realizavam patrulhamento na região quando encontraram homens armados. Durante a abordagem, houve troca de tiros e, ao final da ocorrência, Leonardo foi encontrado baleado.
A PM informou que Leonardo foi socorrido e levado para o Hospital Menandro de Farias, mas não resistiu aos ferimentos. Contudo, essa versão é rejeitada por moradores da comunidade, que realizaram protestos na noite de quinta-feira e também nesta sexta-feira (24). Familiares, amigos e vizinhos pedem justiça e afirmam que “Léo é inocente”.
Moradores reforçam inocência de Leonardo e pedem apuração rigorosa
Uma moradora da região, que preferiu não se identificar, relatou que Leonardo havia acabado de chegar do trabalho quando foi baleado. “O que aconteceu ontem foi uma verdadeira tragédia. Essa policial precisa ser punida. Ela não pode chegar na comunidade onde a gente mora e fazer isso. Ela disse que Léo estava armado. Essa foi a arma que ele estava”, disse, apontando para a bolsa onde ele carregava os lanches.
Ela também afirmou que Leonardo caiu próximo à motocicleta logo após ser atingido. “Léo caiu praticamente em cima da moto. Ele tinha acabado de chegar do trabalho dele. Todo mundo aqui pode provar que Léo é inocente, que nunca fez nada. Era evangélico.”
A moradora pediu ainda que os policiais parem de associar o nome de Leonardo a crimes. “Parem de manchar o menino depois de morto. Já fizeram o que fizeram, mas parem de manchar. Governador, pelo amor de Deus, eu e a comunidade Lessa Ribeiro imploramos, olhe pela gente. Secretário de Segurança Pública, olhe pela gente. Somos trabalhadores, honestos, todos acordamos cedo para comprar o pão de cada dia. E agora? Quem vai sustentar o casal de filhos de Léo? Pelo amor de Deus, justiça.”
Ela reforçou que Leonardo era conhecido e respeitado na comunidade. “Um menino trabalhador, de 33 anos, nascido e criado na Comunidade Lessa Ribeiro, e de família humilde. Até quando? Léo não era bandido, não estava com arma e drogas.”
Primo e amigo relatam momento da tragédia e legado deixado por Leonardo
O primo da vítima, Franklin, afirmou que Leonardo foi executado na porta de casa, com um tiro na cabeça. “Ele foi executado na porta da casa dele, com um tiro na cabeça. Deixou dois filhos e uma esposa. Era um homem trabalhador e tinha seis dias que tinha inaugurado o comércio dele.”
Segundo Franklin, Leonardo vivia um momento de felicidade com o novo negócio. “Estava feliz e foi embora”, lamentou.
Um amigo da vítima, Wendel, contou que conversava com Leonardo por telefone poucos minutos antes da morte. “Ele me falou: ‘Estou com saudade de você e liguei para a gente conversar’. Logo depois falou: ‘Segura aí, segura aí’. Eu só ouvi os disparos. Depois veio um colega dizendo que ele tinha sido morto e eu não acreditei. Foi uma ligação de despedida. Uma covardia. Nunca pensei em passar por isso.”
Wendel lembrou que Leonardo era conhecido por ser um homem trabalhador e pai de família. “Um homem bom, pai de família, que foi covardemente executado.”
Polícia Militar abre investigação e afasta policiais envolvidos
A Polícia Militar informou que o caso está sendo investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da corporação para esclarecer a dinâmica da ocorrência e as circunstâncias da morte de Leonardo Gil Lima.
De acordo com a corporação, os policiais envolvidos estavam usando câmeras corporais e as imagens serão encaminhadas às autoridades responsáveis pela apuração. O comandante-geral determinou a instauração de um procedimento administrativo para investigar a atuação dos agentes e afastou os policiais militares envolvidos.
Secretaria da Segurança Pública e Secretaria de Mobilidade se manifestam sobre o caso
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) manifestou solidariedade aos familiares, amigos e vizinhos de Leonardo Gil Lima e informou que tanto a Polícia Civil quanto a Corregedoria da PM instauraram inquéritos para esclarecer o caso.
A Secretaria de Mobilidade (Semob) comunicou que, na noite de quinta-feira, um ônibus foi incendiado enquanto trafegava pela Avenida Aliomar Baleeiro. O veículo, que fazia a linha 1036 – Estação Mussurunga x Fazenda Grande 2/Cajazeiras 8, ficou totalmente destruído.
Na sexta-feira, os ônibus do transporte público deixaram de circular pelas ruas de São Cristóvão. A Semob informou que as linhas que passam pela região foram desviadas por Mussurunga e que os veículos que saem do final de linha de São Cristóvão circulam apenas até a Avenida Dorival Caymmi, com base na Estação Mussurunga. Equipes da secretaria acompanham a operação no local.

