Educação e Cultura Afro-Brasileira
A escritora e quadrinista baiana Isabella Ismile está à frente do projeto inovador “Encrespou nas Escolas”, que visa levar a história dos cabelos crespos para o universo escolar em Salvador. Por meio de um conjunto de encontros com estudantes de escolas públicas, a proposta busca abordar temas como identidade, autoestima e cultura afro-brasileira, tudo isso fundamentado no livro “Encrespou”.
As atividades estão sendo realizadas em diferentes instituições nos bairros de Itapuã, Jardim das Margaridas e Bairro da Paz, além da Biblioteca Central do Estado da Bahia. O projeto é estruturado em quatro encontros que incluem rodas de conversa, proporcionando uma experiência enriquecedora para os jovens participantes.
Isabella enfatiza o valor da iniciativa: “O projeto Encrespou nas Escolas une arte, educação e representatividade negra. Levaremos aos estudantes vivências sobre autoestima, identidade e a importância da cultura afro-brasileira, sempre de forma simples e acolhedora”. O foco não é apenas na leitura, mas também na troca de experiências e no fortalecimento da identidade dos jovens.
As discussões incluem uma análise crítica do livro, que combina quadrinhos e prosa, oferecendo um panorama histórico dos cabelos crespos. A narrativa abrange desde a valorização nas sociedades africanas antigas até a estigmatização que ocorreu durante a colonização, culminando nos movimentos de afirmação negra, como o Black Power e o Black Rio. Referências de figuras icônicas, como Angela Davis, também são abordadas, enriquecendo ainda mais o conteúdo.
Um aspecto importante do projeto é que as instituições participantes recebem exemplares do livro, integrando-os ao acervo de suas bibliotecas. Essa ação está alinhada com as Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatória a inclusão do ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas do Brasil.
Isabella ressalta: “A execução desse projeto contribui para fortalecer a arte, a cultura e a educação afrocentrada no país e, principalmente, na Bahia, onde a população negra é majoritária. Com essa iniciativa, buscamos colaborar com a educação antirracista e o empoderamento de jovens negros”. Assim, o projeto não apenas promove a literatura, mas também se estabelece como um espaço de reflexão e valorização da identidade afro-brasileira.


