Desafios e Perspectivas da Safra de Feijão em 2026
A safra de feijão no Brasil para 2026 promete manter o país entre os líderes globais na produção desse grão essencial. Estima-se que a área plantada chegue a aproximadamente 2,8 milhões de hectares, com uma produção que deve variar entre 3,1 milhões e 3,3 milhões de toneladas, conforme os dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O cultivo é realizado em três ciclos anuais, com destaque para os estados do Paraná, Minas Gerais, Bahia, Goiás e Mato Grosso.
O Paraná, que tradicionalmente ocupa o primeiro lugar na produção de feijão, continua contribuindo significativamente para o total nacional, ao lado de Minas Gerais, famoso pelo feijão irrigado, e da Bahia, que possui extensas áreas cultivadas no cerrado. O Centro-Oeste também tem visto um aumento na participação dos estados de Goiás e Mato Grosso, impulsionados por melhores índices de produtividade e uma integração mais eficiente com outras culturas.
No entanto, a safra deste ano é marcada por um quadro climático desafiador. Enquanto o Sudeste e o Centro-Oeste enfrentam períodos de chuvas excessivas, que prejudicam a qualidade e o manejo da colheita, o Paraná se depara com uma estiagem prolongada. As altas temperaturas e as perdas significativas, especialmente na primeira safra, têm sido uma realidade preocupante. Há registros alarmantes de que alguns produtores perderam até 100% da colheita devido à seca.
No centro-sul do Paraná, relatos indicam que diversas lavouras sofreram quebras totais. Em certas propriedades, a falta de chuva comprometeu o crescimento das plantas, resultando em um acúmulo de apenas 10 milímetros no período crítico de dois meses. Essa situação inviabiliza qualquer possibilidade de recuperação, mesmo com a chegada recente de chuvas.
A irregularidade climática afetou diretamente o potencial produtivo. Muitas áreas que inicialmente eram promissoras, com rendimentos esperados de cerca de 25 sacas por hectare, acabam sem condições de colheita. Análises meteorológicas mostram que a precipitação acumulada ficou muito abaixo do ideal durante a fase crucial da cultura, o que justifica o alto índice de perdas.
O contraste entre as regiões é notável. Em estados como Minas Gerais e partes do Centro-Oeste, o excesso de umidade tem dificultado as operações no campo e aumentado o risco de doenças nas plantas, mas ainda assim mantém a produtividade em níveis próximos ao esperado. Em contrapartida, o Sul, particularmente o Paraná, enfrenta um cenário mais severo devido à combinação de seca e calor.
Além do feijão, outras culturas de segunda safra também estão sendo impactadas pelas condições climáticas adversas. No caso do milho safrinha no Paraná, a estimativa de produção está em torno de 17,3 milhões de toneladas, um leve recuo em relação ao ciclo anterior, segundo o Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral). Apesar de algumas áreas apresentarem potencial de recuperação, o desempenho geral da safra continua sendo vulnerável às condições meteorológicas das próximas semanas.


