Uma Nova Trajetória para a juventude Baiana
Por muitos anos, o sonho de ingressar na universidade parecia distante para Ítalo Andrade. Hoje, o artista de 30 anos, conhecido como Oxóssi de la Rua e residente na Nova Constituinte, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, comemora sua aprovação no curso de Letras da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Essa conquista, segundo ele, foi possível graças ao apoio do Coletivo Bahia pela Paz, localizado em Paripe. Há cerca de um ano, Ítalo começou a frequentar o espaço em busca de acolhimento psicológico e acesso à internet, fatores que, conforme relata, foram cruciais para manter seu foco nos estudos.
“A universidade sempre pareceu inalcançável para quem vem de onde eu venho. Quando surgiram as angústias e as barreiras, foi no Coletivo Bahia pela Paz que encontrei acolhimento para seguir”, compartilha Ítalo, destacando a importância do apoio recebido.
Coordenados pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), os coletivos integram o Programa Bahia pela Paz, uma iniciativa estratégica do Governo do Estado voltada para a prevenção da violência letal, direcionada a adolescentes e jovens entre 12 e 29 anos e suas famílias. O programa vai além das questões de segurança pública, integrando ações sociais, promoção da cidadania e a proteção de direitos com o suporte qualificado das forças policiais.
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Coletivos como Ferramentas de Inclusão
“Os Coletivos são equipamentos públicos onde os jovens têm a oportunidade de acessar as políticas de inclusão que o Governo do Estado e os municípios oferecem”, explica Felipe Freitas, secretário de Justiça e Direitos Humanos. Desde o início de suas atividades, mais de 20 mil jovens foram atendidos em diversas áreas.
Para Ítalo, a iniciativa “enxerga a juventude preta e da periferia”. Ele afirma: “O Bahia pela Paz enxerga a juventude preta e da periferia, provando que temos não só o direito de sonhar, mas de ocupar os bancos de uma universidade federal com a cabeça erguida”, finaliza o estudante, evidenciando a relevância do programa em sua vida.
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A trajetória de Ítalo é um exemplo claro da atuação do Programa Bahia pela Paz, que possui bases territoriais em 12 unidades em funcionamento. Os coletivos estão distribuídos entre oito comunidades em Salvador e na Região Metropolitana, além de quatro localizações no interior da Bahia. Na capital, os coletivos operam nos bairros de Águas Claras, Liberdade, IAPI, Pernambués, Paripe e São Caetano. Na RMS, estão presentes em PCHOS e Abrantes. No interior do estado, os primeiros coletivos foram estabelecidos em Conceição e Mangabeira, em Feira de Santana, seguidos por Joaquim Romão, em Jequié, e Centro, em Valença.
A Importância da Escuta e Acompanhamento
Para a psicóloga Elilma Lopes, o projeto é uma forma de ouvir os jovens e cria uma diferença significativa em suas trajetórias profissionais, abrindo novas possibilidades nas áreas periféricas. “O Coletivo é essencial para o meu trabalho, pois não se trata apenas de aplicar psicoterapia nos moldes tradicionais, mas de entender as demandas de quem nos procura, especialmente em situações de vulnerabilidade”, explica Elilma.
“Esse trabalho envolve escuta e acompanhamento das necessidades individuais, tornando-o único e uma experiência gratificante. Acredito que o Coletivo Bahia pela Paz é fundamental para a sociedade”, conclui a psicóloga, reforçando a relevância da iniciativa.
O Programa Bahia pela Paz
Instituído no Plano Plurianual (PPA) 2024-2027, o Programa Bahia pela Paz se destaca pela articulação intersetorial entre secretarias estaduais e os poderes Judiciário e Legislativo. As ações contempladas no plano incluem iniciativas de assistência social, como o Corra pro Abraço, da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), além do Edital Cultura Bahia pela Paz, promovido pela Secretaria de Cultura (Secult), e a implantação de escolas em tempo integral pela Secretaria de educação (SEC), entre outras ações.


