A Série Lunar e a celebração do Dia Nacional da Cultura e da Ciência
Na noite de quinta-feira (05), a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) promoveu uma edição especial da Série Lunar dedicada ao Dia Nacional da Cultura e da Ciência, instituído desde 1970 em homenagem ao nascimento de Ruy Barbosa, conhecido como o “Águia de Haia”. O encontro cultural teve início às 19h, no Auditório Samuel Celestino, com a abertura musical do Quinteto da Bahia, grupo formado entre 2019 e 2020 no ambiente acadêmico da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O encerramento ficou por conta da própria ABI, que apresentou exemplares exclusivos dos acervos dedicados a Ruy Barbosa e ao jornalista, advogado e crítico de cinema Walter da Silvera, ambos falecidos na mesma data.
Música que percorre o Nordeste e a Bahia
O Quinteto da Bahia convidou o público para uma viagem sonora que começa no sertão nordestino e desembarca no recôncavo baiano. A performance inicial trouxe a peça “Voo Seridó”, composição do contrabaixista Rodolfo Lima inspirada na ave carcará, seguida por um medley de canções populares marcantes da região, incluindo “Reconvexo”, de Caetano Veloso. O grupo busca aproximar o público da música brasileira, tanto popular quanto de concerto, valorizando as identidades culturais do Nordeste. O repertório também incluiu “Eterno cantador”, de Luiz Gonzaga, e referências a compositores que incorporaram elementos típicos nordestinos, como o triângulo, além de homenagens ao movimento armorial, fundado por Ariano Suassuna em 1970.
Conexão acadêmica e musical entre os integrantes
O Quinteto da Bahia teve origem no mestrado de Música da UFBA e foi incentivado a seguir ativo devido à forte conexão entre seus integrantes e à qualidade das apresentações. Lírida Lima, violinista do grupo e também da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), explicou que o grupo propõe uma nova forma de tocar, diferente dos padrões tradicionais de orquestras. A formação do quinteto traz à tona uma abordagem fresca e experimental, mantendo o compromisso com a música brasileira e suas raízes.
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Memória e patrimônio na exposição dos acervos
Após o concerto, a ABI ofereceu um momento de convivência com aperitivos e bebidas, enquanto a vista do Edifício Ranulfo Oliveira para a Praça da Sé emoldurava o ambiente. A programação seguiu com a apresentação de uma amostra exclusiva dos acervos de Walter da Silvera e Ruy Barbosa, conduzida pela equipe de conservação e preservação da ABI, incluindo a estagiária de Museologia Art Marie Rebouças e o estagiário de História Ian de Santana.
Essa exposição acessibilizou histórias como a do busto de Ruy Barbosa, recuperado pela associação, e o acervo digital de Walter da Silveira, disponível para consulta pública no site walterdasilveira.com.br. O público teve contato com dedicatórias autografadas, imagens de bastidores de longas-metragens e peças teatrais, além de escritos sobre o cinema brasileiro, todos preservados pela ABI.
Série Lunar: um espaço de encontro entre música e cultura acadêmica
Desde 2019, a Série Lunar é resultado da parceria entre a ABI e a Emus/UFBA, promovendo concertos que reúnem professores, técnicos e estudantes, transformando o Auditório Samuel Celestino em um ponto de convergência entre a produção acadêmica, a cena musical e o público de Salvador. Para 2026, o projeto conta com o apoio da Associação Cultural Brasil–Estados Unidos (ACBEU), que tem sido fundamental para a manutenção da programação. O evento desta quinta-feira destacou o Nordeste e a Bahia por meio da música, da memória e da cultura, reforçando a importância de preservar e circular essas expressões na capital baiana.

