Impacto da recuperação judicial das Casas Bahia no varejo regional
O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia provocou uma movimentação significativa no mercado varejista e na indústria de eletrodomésticos e eletrônicos. Com a saída parcial da gigante, outras redes regionais começaram a conquistar clientes e ampliar suas vendas, ocupando o espaço que antes era dominado pela companhia.
Nos últimos dias, lojas físicas vizinhas às unidades da Casas Bahia que fecharam registraram aumento nas vendas entre 10% e 30%. Esse crescimento reflete a rápida adaptação do varejo regional diante da mudança no cenário competitivo.
Varejo regional ganha força como alternativa segura para fabricantes
Fabricantes de eletrodomésticos e eletrônicos têm acelerado a redistribuição de estoques, antes destinados à Casas Bahia, para redes regionais, oferecendo condições comerciais mais atraentes para estimular as vendas. Essas redes, geralmente familiares, se destacam por estarem menos endividadas e terem menor exposição à inadimplência do consumidor, especialmente em comparação às grandes redes que dependem de aprovação bancária para financiamentos.
Marcio Pauliki, CEO da rede regional MM, fundada em Ponta Grossa (PR), explica que as empresas locais são ágeis porque o impacto financeiro recai diretamente sobre os proprietários, que acompanham de perto as operações. A MM possui mais de 230 lojas em quatro estados e faturou R$ 1,8 bilhão no ano passado, com projeção de alcançar R$ 2 bilhões em 2026.
Estratégias de fidelização e financiamento próprio impulsionam vendas
A forte fidelidade dos clientes é um diferencial apontado por Pauliki, colaborando para a baixa inadimplência no consumo. Outro fator é o uso do carnê próprio da MM para financiar as vendas, que flexibiliza o limite de aprovação de crédito em relação aos critérios rígidos do sistema financeiro tradicional. Esses elementos combinados têm impulsionado as vendas da rede.
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Nos últimos meses, a MM recebeu propostas vantajosas de grandes fabricantes, incluindo a venda sob consignação, onde os produtos são entregues ao estoque e pagos conforme a venda ao cliente. “Para nós, é um bom negócio”, destaca Pauliki.
Grupo familiar do Norte do Paraná amplia atuação no varejo e atacado
Com sede em Douradina (PR), o grupo especializado em eletromóveis está há seis décadas no mercado, operando 400 lojas em nove estados da região Norte e Centro-Oeste. Além do varejo, atua no atacado com 27 Centros de Distribuição que abastecem pequenos e médios lojistas, e fabrica colchões. A expectativa é faturar R$ 14 bilhões este ano, sendo metade proveniente do varejo.
Oportunidades para trabalhadores desligados da Casas Bahia
Com cerca de 3 mil demissões na Casas Bahia, o cenário indica que parte desses profissionais poderá se recolocar com menos dificuldades. A MM, por exemplo, está recebendo currículos de ex-funcionários, especialmente vendedores com carteira de clientes. Atualmente, a rede conta com 650 colaboradores e possui 150 vagas abertas, além de previsão para contratar mais 150 temporários até o fim do ano.
Essa movimentação representa até 300 oportunidades que podem absorver trabalhadores desligados da varejista em recuperação judicial.
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Negociações para ocupar pontos comerciais e promoções para atrair clientes
A rede MM negocia a locação de seis pontos comerciais anteriormente ocupados pela Casas Bahia em cidades como Blumenau (SC), Chapecó (SC), Naviraí (MS), Ponta Grossa (PR), Curitiba (PR) e Ourinhos (SP). Para atrair a clientela que ficou sem opção, a empresa prepara uma promoção agressiva.
Quem pagar boletos da Casas Bahia ou de concorrentes nas lojas da MM e fizer compras no carnê da rede receberá bonificações em prestações ou brindes equivalentes, estratégia que começa na próxima segunda-feira, dia 24.
Desafio do varejo regional para preencher o vácuo deixado pela gigante
O espaço deixado pela Casas Bahia no varejo de eletrodomésticos e móveis é expressivo. Em 2025, o grupo ocupava a liderança no segmento, com 30% das vendas de linha branca, 25% em TVs e 15% em eletroportáteis. Esse peso explica por que a crise da gigante reverbera em toda a cadeia.
Dos R$ 17,3 bilhões em dívidas da Casas Bahia, cerca de R$ 5,8 bilhões são devidos a grandes fabricantes de eletrodomésticos e eletrônicos. A Eletros, associação do setor, acompanha o processo de recuperação judicial com atenção, considerando o grupo um agente essencial do varejo brasileiro e preocupado com os reflexos para fornecedores.

