Juros elevados complicam cenário para Casas Bahia e concorrentes
A manutenção da taxa Selic em patamar elevado representa um grande desafio para o varejo brasileiro, especialmente para redes como Casas Bahia, que dependem amplamente do crédito para as vendas parceladas. No último balanço da empresa, a diretoria apontou um “ambiente macroeconômico e de crédito mais desafiador” como fator decisivo para a queda de 3,2% nas vendas das lojas físicas. O impacto financeiro dessa conjuntura se reflete no aumento do custo do endividamento, que acaba consumindo parte significativa do lucro operacional.
Valdo Silveira, CEO da Leme Inteligência Forense, explica que o ciclo financeiro do varejo está desequilibrado. “Os varejistas pagam as compras em 120 ou 150 dias, mas precisam financiar a operação por períodos muito maiores, entre 12 e 24 meses, especialmente na linha branca. Nas Casas Bahia, apesar do lucro operacional robusto, o custo financeiro praticamente ultrapassa esse valor”, afirma.
Alta taxa Selic pressiona resultado financeiro das empresas
Um relatório do BTG Pactual, elaborado por seis analistas, destaca que a taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, compromete os resultados das empresas ao elevar os custos com juros sobre dívidas. A análise ressalta que, mesmo com volume de vendas estável, a lucratividade fica limitada. “A taxa Selic encerrou junho em 14,25%, mantendo os custos de financiamento elevados e restringindo a conversão para o lucro líquido”, afirmam os especialistas.
Esse cenário dificulta a recuperação do setor varejista, que busca alternativas para driblar o aumento do custo do crédito.
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E-commerce e marketplace não compensam desafios financeiros
O segmento de comércio eletrônico, embora tenha apresentado expansão entre abril e junho, não foi suficiente para compensar a pressão causada pelos juros altos. Analistas da XP Investimentos observam que o ambiente permanece desafiador, com crescimento online limitado pela forte concorrência entre players locais. Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer destacam que “no e-commerce, o ambiente geral continuou difícil, com os concorrentes locais enfrentando um crescimento pressionado pela disputa acirrada”.
Setor de vestuário e calçados apresenta sinais de recuperação
Em contraste com o varejo de bens duráveis, empresas do segmento de vestuário e calçados mostraram desempenho mais positivo. Marcas como Alpargatas, Riachuelo, Grupo SBF e Track & Field se destacaram, sustentadas por estratégias sólidas e margens estáveis. A C&A também apresentou resiliência no mercado, segundo o relatório da XP.
O Mundial de Futebol impulsionou especialmente o Grupo SBF, controlador da Centauro, cujo lucro no período mais do que triplicou, alcançando R$ 141,9 milhões, com alta de 210%. O balanço da empresa ressalta o cumprimento das metas estabelecidas para o evento, com crescimento recorde nas categorias relacionadas à Copa do Mundo.
Por outro lado, nem todas as redes de vestuário tiveram resultados positivos. A Renner registrou crescimento modesto de 0,5% no volume de vendas e uma queda de 5,6% no lucro em comparação ao segundo trimestre do ano anterior. A Azzas, segundo a XP, continuou enfrentando dificuldades devido a vendas fracas, aumento de despesas e ajustes de estoques.
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Supermercados enfrentam resultados variados e sensibilidade do consumidor
O varejo alimentar apresentou desempenho heterogêneo no segundo trimestre. Enquanto o Assaí registrou lucro contábil de R$ 537 milhões, o dobro do mesmo período do ano anterior, o Grupo Mateus teve resultado 39% inferior, totalizando R$ 236,8 milhões. Já o Grupo Pão de Açúcar amargou prejuízo de R$ 204 milhões, 16% maior que o registrado no segundo trimestre do ano passado.
O ambiente econômico tenso e a alta dos juros afetaram o comportamento do consumidor, que se tornou mais sensível às oscilações de preço. Isso se refletiu em queda de 8% nas vendas do Grupo Mateus, estagnação no Pão de Açúcar (-0,8%) e leve crescimento no Assaí (+0,9%).
Um relatório da XP destaca que o varejo alimentar voltou a ser um ponto de preocupação, com o contexto macroeconômico fraco e o poder de compra pressionado impactando diretamente o crescimento, sobretudo do Grupo Mateus. O Assaí, no entanto, conseguiu manter a rentabilidade graças a um controle rigoroso dos custos.

