Crise das Casas Bahia não reflete cenário econômico amplo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, falou nesta sexta-feira (21) sobre a situação da Casas Bahia, rejeitando a ideia de que o problema da varejista sinalize uma crise generalizada na economia do país. Em entrevista ao GloboNews Mais, Durigan destacou que o setor varejista sofre com juros elevados, mas que os dados históricos indicam uma redução no número de falências e recuperações judiciais, especialmente quando comparados com outros setores, como a indústria.
Segundo ele, a dificuldade enfrentada pelas Casas Bahia é um caso pontual, ligado à situação específica da empresa, que já passou por um processo de recuperação extrajudicial sem conseguir superar suas dívidas. “O varejo depende fortemente de crédito, tanto para fornecedores quanto para os consumidores finais, e isso torna o setor mais sensível às altas taxas de juros”, explicou o ministro.
Juros altos e impacto no varejo
Durigan ressaltou que o crédito mais caro tem efeito direto na redução da atividade varejista. “As margens do setor são apertadas e a dependência de crédito faz com que o aumento dos juros pressione o segmento”, afirmou. Ele reforçou que, apesar desse cenário, os indicadores da economia brasileira mostram vigor em vários setores, o que descarta a tese de uma crise geral.
O ministro lembrou que o governo está atento às transformações econômicas e tem atuado dentro dos seus limites para apoiar setores afetados, sem comprometer a concorrência ou promover intervenções indevidas.
Medidas fiscais para conter despesas e melhorar a economia
Para enfrentar as pressões causadas pelos juros elevados, Durigan destacou a importância de aprimorar a política fiscal. Ele afirmou que o governo aprovou medidas para limitar o crescimento das despesas e pretende intensificar esse esforço, visando um ajuste fiscal que possa influenciar positivamente a política monetária.
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“Já aprovamos no Congresso contenção no crescimento das despesas, com bloqueios no Orçamentária (PLOA) deste ano e restrições obrigatórias para o próximo. Vamos continuar apertando o arcabouço fiscal para garantir resultados melhores”, explicou o ministro.
Entre as medidas previstas estão a redução de despesas obrigatórias, o aumento da eficiência dos programas sociais, a melhora da arrecadação e a redução de benefícios tributários. Durigan também mencionou a intenção de limitar os gastos com novas contratações e investir mais em tecnologia para tornar o Estado mais eficiente.
Disciplina fiscal e revisão de privilégios
Durigan defendeu a revisão dos gastos obrigatórios e a redução de privilégios, como os relacionados a aposentadorias no serviço público e militares, para liberar recursos para investimentos. Segundo ele, essas mudanças são essenciais para criar condições que possibilitem a redução dos juros no país.
O ministro mencionou um ajuste fiscal estimado em cerca de 2% do PIB para o ano que vem, resultado da soma das medidas adotadas, que não se restringe a exceções específicas como a dívida do Rio Grande do Sul.
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Posição sobre benefícios e ritmo do ajuste
Sobre a desvinculação dos benefícios previdenciários e sociais do salário mínimo, Durigan afirmou que essa medida não está em debate atualmente. Ele reforçou o compromisso do governo com uma regra fiscal que assegure crescimento das despesas abaixo das receitas, superando o período em que as despesas públicas cresceram acima da arrecadação.
Quanto ao ritmo do ajuste fiscal, o ministro reconheceu que medidas mais ambiciosas foram propostas, mas nem todas avançaram no Congresso. Ele citou, por exemplo, a limitação do crédito presumido de PIS/Cofins, que representava uma economia significativa para as contas públicas.
Transparência e compromisso fiscal
Durigan afirmou que o governo revelará detalhes de uma medida que pode aliviar a pressão sobre as despesas obrigatórias em pelo menos R$ 10 bilhões. Ele também criticou políticas anteriores que aumentaram subsídios e ressaltou que o Ministério da Fazenda está preparado para agir quando houver espaço fiscal.
O ministro finalizou destacando que o foco do governo é a saúde da economia como um todo, buscando melhorar a qualidade de vida e o bem-estar da população, sem favorecer setores específicos.

