Propostas culturais dos candidatos na Bahia
Faltando menos de um mês para o primeiro turno das eleições estaduais, marcado para 4 de outubro, os três principais candidatos ao Governo da Bahia — ACM Neto (União), Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (PSOL) — intensificam suas agendas para apresentar propostas que dialoguem com os cerca de 11 milhões de eleitores baianos. O foco desta análise são os planos dedicados à cultura, um setor vital para a identidade e economia do estado.
ACM Neto e o incentivo aos criadores digitais e cultura afro-baiana
ACM Neto aposta no programa “Bahia Creators”, que visa formar, conectar e remunerar criadores de conteúdo digital ligados a plataformas como TikTok, Instagram e YouTube. A proposta quer transformar esses influenciadores em promotores dos destinos turísticos e culturais baianos, ampliando o alcance da cultura local nas redes sociais.
Além disso, o candidato pretende reformular os editais culturais, criando um calendário anual e previsível, com níveis de complexidade que reduzam a burocracia para artistas e produtores. Outro destaque é o programa “Alma Negra”, que busca integrar permanentemente artistas e intelectuais negros à agenda cultural do estado, ampliando museus e roteiros focados na herança afro-baiana. A inclusão de saraus, hip hop e expressões urbanas contemporâneas também está prevista.
ACM Neto ainda planeja consolidar a Bienal do Livro da Bahia, que retornou em 2024 após nove anos de hiato, garantindo sua periodicidade regular e uma governança independente, para evitar interrupções políticas futuras.
Jerônimo Rodrigues e a ampliação da cultura no interior
O atual governador, Jerônimo Rodrigues, busca fortalecer projetos já existentes, como as escolas de tempo integral e o “Programa Capoeira nas Escolas”, que promove a integração afro-brasileira e africana em instituições públicas e privadas. Ele pretende utilizar os teatros escolares para ampliar a circulação cultural pelo interior do estado.
O programa “Ouro Negro” também está no radar, com o objetivo de ampliar as manifestações afro-brasileiras durante todo o ano, não apenas no Carnaval. Outro destaque é o “Cultura para Todos”, que visa fortalecer bibliotecas, museus, espaços culturais e iniciativas comunitárias em todo o território baiano.
O Infra cultura Bahia será usado para requalificar, modernizar, garantir acessibilidade, segurança e restaurar espaços culturais. Jerônimo também quer consolidar a Bahia Filmes como empresa pública do audiovisual para atrair produções internacionais, oferecendo incentivos, infraestrutura e facilitação no licenciamento.
Ronaldo Mansur e o fortalecimento do financiamento cultural
Ronaldo Mansur propõe destinar 1,5% do orçamento estadual para a cultura, ampliando os recursos para garantir maior estabilidade ao setor. O foco está na criação de editais, leis, programas e fundos com recursos próprios, além de mecanismos para descentralizar o fomento cultural pelo estado.
Para facilitar o acesso aos editais, Mansur pretende buscar apoio técnico da sociedade civil para ajudar nas inscrições, reduzindo a burocracia. A transparência na formulação e gestão das políticas culturais também é uma prioridade, com a participação ativa da população nas decisões.
Outra proposta importante é o envolvimento direto dos trabalhadores da cultura no aconselhamento das políticas públicas, garantindo que as ações estejam alinhadas às necessidades reais do setor.
Estas propostas, levantadas pelo Notícias (BN), revelam perspectivas distintas para a cultura na Bahia, que envolvem desde o incentivo às novas linguagens digitais até a valorização da herança afro-baiana e a busca por maior participação social e financiamento estável.

