UEFS promove diálogo entre feiras universitárias e populares
A Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) sediou, na quinta-feira (3), o segundo dia do 1º Encontro Baiano de Feiras Universitárias e Populares. O evento reuniu produtores, empreendedores, estudantes e representantes de diversas regiões da Bahia, alinhado ao Dia das Organizações Populares. O principal objetivo foi incentivar a economia solidária, a agroecologia e a soberania alimentar, além de fomentar a troca de conhecimentos entre os participantes.
Integração entre experiências dentro e fora das universidades
Com uma programação que envolveu a comercialização de produtos variados, artesanato, alimentação e atividades culturais, o encontro propiciou momentos de diálogo que aproximaram iniciativas acadêmicas e comunitárias. A origem da iniciativa está em uma pesquisa de mestrado na própria UEFS. Sarah de Souza, mestranda em Planejamento Territorial e membro da Incubadora de Iniciativas de Economia Popular Solidária, explicou que a intenção é criar uma rede permanente entre as feiras para troca de saberes e sabores.
“Queremos construir um intercâmbio contínuo entre as feiras universitárias para fortalecer essa articulação”, afirmou Sarah. A escolha de Feira de Santana para sediar o encontro reflete a tradição da cidade com feiras populares e o histórico da feira universitária da UEFS, que funciona desde 2017. A expectativa é que o evento seja o primeiro de muitos, culminando na criação de uma carta reivindicatória que fortaleça essas redes.
Desafios e visibilidade das feiras universitárias
Um dos temas abordados foi a dificuldade que as feiras enfrentam, especialmente no que diz respeito à visibilidade e à ausência de políticas públicas específicas de apoio. Sarah ressaltou que muitas dessas iniciativas sobrevivem graças à mobilização dos próprios feirantes, mas ainda precisam ser mais reconhecidas dentro do ambiente universitário.
“As feiras universitárias existem, mas ainda são pouco vistas dentro das universidades. É fundamental que ganhem esse reconhecimento”, destacou.
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Empreendedores compartilham experiências e ampliam oportunidades
Entre os participantes, a confeiteira Sônia Barreto aproveitou a chance para apresentar seus produtos a um público mais amplo. Ela destacou o aprendizado e a troca de experiências como aspectos valiosos do encontro. Sônia levou opções como surpresa de uva zero lactose, brigadeiros, bolo de puba, torta e panquecas recheadas, e reforçou que o ambiente do evento estimula a colaboração entre empreendedores, não a competição.
“Aqui não há concorrentes, mas parceiros. Essa troca de experiência é o que fortalece a todos”, comentou.
O artesanato também teve destaque com a presença de Tatiana Duque, do Duque Ateliê, que apresentou peças feitas em família. Seu trabalho busca despertar memórias afetivas e criar uma conexão emocional com o público por meio dos amigurumis e bolsas confeccionados artesanalmente.
Tatiana enfatizou a importância da articulação entre organizações, universidades e pequenos empreendedores para ampliar as possibilidades de comercialização. Para ela, participar desses eventos é uma forma de adquirir conhecimento e fortalecer o trabalho artesanal.
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Estudantes valorizam diversidade e aproximação da universidade com a comunidade
O encontro também contou com a participação de estudantes de Pedagogia, como Renata Carneiro e Ana Santana, que destacaram a diversidade cultural e a amplitude do evento. Renata avaliou que a feira oferece uma experiência que vai além do acadêmico, reunindo cultura e diversidade em um espaço aberto ao público.
Ana ressaltou que a expansão do encontro trouxe produtores de outros municípios e comunidades, promovendo a integração entre a universidade e a população externa. Ela ressaltou a riqueza da variedade de produtos e a presença de diferentes localidades como elementos que tornam a feira ainda mais significativa.
“A universidade, muitas vezes, fica restrita ao ambiente acadêmico. Trazer pessoas e produtores de fora é fundamental para ampliar horizontes e mostrar a diversidade da produção local”, afirmou.
Essa iniciativa na UEFS revela o potencial transformador das feiras como espaços de economia popular e solidária, promovendo geração de renda, fortalecimento das comunidades e ampliação da circulação de bens produzidos localmente. A expectativa é que o evento se consolide e contribua para políticas públicas que apoiem essas redes, impactando diretamente a economia da Bahia e o cotidiano de quem vive dela.

