Encerramento de A Nobreza do Amor em Salvador
Salvador recebeu um encontro especial para celebrar o último capítulo da novela das seis da TV Globo, A Nobreza do Amor. Os autores Elísio Lopes Jr., Júlio Fischer e Duca Rachid reuniram elenco e equipe na capital baiana para assistir juntos ao desfecho da trama. A noite foi marcada por uma forte celebração da teledramaturgia e pela valorização da ancestralidade africana, além da rica cultura afro-brasileira que permeia a história.
Conexão entre a novela e a cultura baiana
A escolha de Salvador para a despedida não foi por acaso. A narrativa da novela traz uma ponte entre referências africanas e nordestinas, colocando personagens negros no centro da história e abordando temas como identidade, resistência e herança cultural que liga o continente africano ao Brasil. A capital baiana, reconhecida pela intensa presença da cultura afro-brasileira, tem ainda um significado especial para muitos envolvidos no projeto.
Elísio Lopes Jr., autor baiano, destacou como suas vivências em Salvador influenciaram a construção da trama e dos elementos culturais presentes na novela. Em entrevista ao BN Hall, ele explicou que sua relação com a ancestralidade e a cultura negra foi fundamental para moldar a narrativa.
“Muito da minha ancestralidade, muito do que eu aprendi de cultura preta, da beleza de ser preto, da beleza dos adereços, da nossa cultura e de tudo o que a gente manifesta esteticamente, eu aprendi aqui. Então, quando a gente cria uma fábula como A Nobreza do Amor, obviamente estou usando a minha memória emotiva, o que aprendi de ser quem sou”, afirmou.
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Artistas baianos reforçam identidade da trama
A presença de artistas locais também fortaleceu a ligação da produção com o território. A atriz Emanuelle Araújo, que interpreta Marta, ressaltou a importância da novela em homenagear as raízes africanas e reconheceu a influência da cultura afro-baiana em sua trajetória pessoal e artística.
“É uma novela que tem como grande objetivo honrar e saudar a nossa herança africana. Eu, que sou totalmente moldada por essa herança aqui na Bahia, acredito que a cultura africana é algo que faz a gente ser gente, ser pessoa. Eu me tornei artista totalmente moldada nos ritmos afro-baianos e na cultura afro-baiana”, declarou.
Rita Batista, também baiana e intérprete da personagem Ladissa, falou sobre o caráter de resistência presente na construção de sua personagem. “Ladissa, desde que entrou na novela, a gente tinha entendido que a vida dela seria pautada pela resistência”, destacou.
Autores discutem representação da ancestralidade africana
Duca Rachid, uma dos autores, comentou sobre o espaço dado à ancestralidade africana na trama e a reflexão que orientou a construção da história. Segundo ela, a novela trouxe ao público referências da realeza e cultura africanas ainda pouco exploradas na teledramaturgia brasileira.
“E a gente pensou assim: poxa, mas por que a gente ainda não fez uma novela na África? Por que a gente não mostrou essa nobreza africana que sempre existiu? Acho que a importância disso é mostrar do que a gente é constituído. A gente é constituído dessa cultura e dessa nobreza”, afirmou.
Júlio Fischer avaliou o impacto que a novela teve em sua trajetória profissional, destacando o aprofundamento nas referências históricas e culturais africanas durante o processo. Para ele, essa experiência deixará marcas duradouras nos projetos futuros da equipe.
“A Nobreza do Amor foi um mergulho que vai me acompanhar pelo resto da vida nessa questão da ancestralidade negra. A gente realmente mergulhou fundo na história de África. Acho que A Nobreza do Amor plantou na gente referências que vão nos acompanhar nos próximos trabalhos. Com certeza, ela está no nosso DNA agora”, afirmou.
Encerramento com música e celebração cultural
A reunião em Salvador simbolizou o fim de um trabalho que levou para a televisão uma narrativa rica em referências históricas, culturais e identitárias. A celebração contou com uma apresentação especial do Ilê Aiyê, grupo que trouxe a força da música e da cultura afro-baiana para o encontro. A performance reforçou a conexão entre a proposta da novela e as raízes culturais da Bahia, destacando a ancestralidade africana presente na região.

